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Posts Tagged ‘tragédias da natureza’

Sustentabilidade Insustentável

Nas últimas décadas este assunto tem sido discutido internacionalmente, tanto, que cheguei a pensar que já tivesse sido esgotado; porém, quando nos deparamos com tragédias sem precedentes como os deslizamentos das encostas serranas do Rio de Janeiro, acontecidos na semana passada,  percebemos que ainda há muita coisa a ser feita, para que essa situação possa ser revertida.

No meu entender, o cerne da questão está no equilibrio ambiental que começou a ser afetado, desde que o homem desafiou a Deus, pensando que já havia adquirido conhecimento suficiente, para se auto-sustentar. Nesse desentendimento com seu Criador e por insubmissão às ordens, regulamentos e regimentos internos do “lar” que Deus criou para que habitássemos juntamente com Ele, o homem não teve outra escolha a não ser sair de casa e “conhecer o mundo”.

Quero aqui destacar duas situações semelhantes quanto a esse tipo de separação. A primeira história aconteceu entre Abraão e Ló. Deus havia assumido um compromisso com Abraão; Ló, seu sobrinho o acompanhou até certo ponto da jornada, mas acabou preferindo seguir seu caminho, por sua própria conta e risco. Assim, aproveitando-se de um desentendimento entre os empregados de ambos, separou-se de seu tio e preferiu seguir pelas campinas de Sodoma e Gomorra. O fim de Ló foi trágico, porque teve que abandonar tudo o que havia construído, pois o lugar que escolhera para viver, estava condenado à destruição. Ele e suas duas filhas foram os únicos sobreviventes.

A segunda história foi contada por Jesus. Um jovem decidiu sair do seu lar, por entender que possuía experiência suficiente; se apossando de seus pertences, inclusive de sua herança, partiu sozinho pelas estradas da vida, para “conhecer o mundo”. Depois de perder tudo o que possuia, inclusive sua identidade, dignidade e também sua moral, não encontrou outra alternativa, a não ser retornar ao lar e reintegrar-se novamente à sua família. O pai desse jovem já estava preparado para o retorno de seu filho, pois baseado em sua experiência de vida, sabia que mais dia, menos dia, isso iria acontecer; tanto que, ao vê-lo de longe, correu para abraçá-lo. Para comemorar, promoveu uma grande celebração com sua família e amigos.

Estas duas histórias, ilustram bem, que o Pai Celestial aguarda nosso retorno para Ele. Estamos vivendo no lugar que Deus criou para que habitássemos com Ele, porém, estamos destruindo a “casa” dEle com as nossas atitudes inconsequentes de agressão à natureza.  A ética nos ensina que quando estamos na casa dos outros, precisamos nos submeter às regras daquele lugar; mas estamos agindo como crianças birrentas que não querem, nem estão dispostas a obedecer as ordens de seus pais.

Para que possamos entender melhor sobre a Terra e o Universo como morada de Deus, vejamos o que está escrito na Bíblia Sagrada: “O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés. Que espécie de casa vocês me edificarão? É este o meu lugar de descanso?” (Bíblia Sagrada NVI, Isaías 66:1)

O “castigo” e os grandes “puxões-de-orelha” que estamos recebendo de forma gritante, não vêm da parte de Deus nosso Pai, mas de suas criaturas que são radicalmente obedientes ao Seu Criador. Se faz necessário mudarmos nossas atitudes para com a natureza, pois não adianta pensarmos que as tragédias vão acontecer apenas na casa do “vizinho”; todos nós, indistintamente, sofreremos as consequências, seja por epidemias, seja pela alta da inflação em decorrência dos bilhões de prejuízos que estão sendo somados a cada dia.

“Devemos voltar a pensar a sociedade não contra a natureza, mas com ela; e a natureza como sendo – ela mesma – um sujeito dotado de humanidade”. (Roberto DaMatta – O Desastre Ecológico e a Ideologia Moderna)

“Quanto mais um sistema ou modo de vida está construído sobre o verde e a fotossíntese, mais ele é renovável e sustentável… Até que se apague o sol”. (Evaristo E. de Miranda – A Sustentabilidade é verde)

Veja a seguir as perguntas que Deus fez para Jó, quando ele havia perdido tudo e só lhe restava um caco de telha para se coçar: “Quem primeiro me deu alguma coisa, que eu lhe deva pagar? Tudo o que há debaixo dos céus me pertenceOnde você estava quando lancei os alicerces da terra? Responda-me, se é que você sabe tanto! Quem marcou os limites das suas dimensões? Talvez você saiba! E quem estendeu sobre ela a linha de medir? E os seus fundamentos, sobre o que foram postos? Quem represou o mar pondo-lhe portas, quando ele irrompeu do ventre materno, quando o vesti de nuvens e em densas trevas o envolvi, quando fixei os seus limites e lhe coloquei portas e barreiras, quando eu lhe disse: Até aqui você pode vir, além deste ponto não; aqui faço parar suas ondas orgulhosas? Quem dá à luz a geada que cai dos céus, quando as águas se tornam duras como pedra e a superfície do abismo se congela?” (Bíblia Sagrada, NVI – Jó, 41:11; 38:4-6; 8-11; 29-30)

Toda a criação obedece as leis de seu Criador; somente o homem, único ser racional criado, coloca de lado sua racionalidade e desobedece as leis da natureza, estabelecidas pelo próprio Deus que a criou.

Quanto de espaço que o homem já “roubou” do mar? Quanto represamento de águas, com barragens insuficientes para contê-las durante as cheias. Quanta poluição tem sido lançada na atmosfera? Quanto lixo não degradável tem sido jogado nas águas límpidas dos rios e corredeiras, comprometendo a água potável?

Tem sido a própria natureza que está “gritando” S.O.S. e falando em linguagem sem palavras, que estamos transtornando o Planeta Terra. Cada novo deslizamento, cada nova inundação, cada novo terremoto, cada novo ciclone, estamos sendo alertados de que estamos nos auto-destruindo.

A solução está nas mãos dos governantes nacionais e internacionais que precisam agir com maior sensibilidade, disponibilizando verba para o que realmente importa, com o fim de manter a sustentabilidade da natureza de forma equilibrada. Lembremos que Deus está no seu “sétimo dia”, desde quando terminou de criar todas as coisas, e viu que tudo era muito bom e estava funcionando na mais perfeita ordem.

“E Deus viu que tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o sexto dia. Assim foram concluídos os céus e a terra, e tudo o que neles há. No sétimo dia Deus já havia concluído a obra que realizara, e nesse dia descansou. Abençoou Deus o sétimo dia e o santificou, porque nele descansou de toda a obra que realizara na criação”. (Bíblia Sagrada, NVI, Gênesis, 1:31 a 2:1-3)

Quando esse “tempo de descanso de Deus” terminar, Ele enviará seu Filho Jesus Cristo, pela segunda vez, para restabecer a perfeita ordem, e não a ordem mundial que o homem está tentando implantar, fazendo reuniões intermináveis que nunca chegam a acordo nenhum.

“Aquietem-se todos perante o Senhor, porque Ele se levantou de sua santa habitação.” (Bíblia Sagrada, NVI, Zacarias, 2:13)

“Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundância de paz. O ímpio maquina contra o justo, e contra ele range os dentes. O Senhor se rirá dele, pois vê que vem chegando o seu dia”. (Bíblia Sagrada, NVI, Salmo 37:11-13)

Nossa insubmissão tem um preço impagável e ninguém quer assumir o êrro; a consequência tem sido uma total destruição, que vem acontecendo sequencialmente, como toda reação em cadeia.

O homem precisa reconhecer que não possui capacidade para querer sustentar o insustentável. A sabedoria está em abrirmos mão dessa loucura insana e devolver a Deus o controle do ecossistema, pois somente assim poderemos sobreviver neste caos ecológico que nós mesmos produzimos.

Sonia Valerio da Costa
Em 19/01/2011

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…E A ÁGUA LEVOU!

(Google Imagens)
(Google Imagens)

Olhei ao meu redor e restava apenas o silêncio.  Um silêncio que incomodava mais do que as turbinas de um avião, quando está para decolar.

Meu olhar estava perdido na linha do horizonte buscando em vão por uma réstia de esperança de que aquele cenário não passava de um sonho; conscientemente, porém, compreendia que tudo era real.

Havia construído tantos sonhos e quando estava prestes a alcançá-los, tudo se desmoronara em questão de poucos minutos.

Agora o mar já estava em seu lugar habitual; suas ondas vinham empoladas e junto à praia perdiam totalmente a força assumindo uma constante serenidade.

Teria sido tudo aquilo um pesadelo?  Perguntas sem respostas povoavam minha mente em meio àquele quadro desolador.

Não havia nada mais que se pudesse fazer.  Então, lentamente, as explicações que justificavam tamanha tragédia, começaram a chegar. Começava a entender que como uma espécie de purificação espiritual, física e biológica, as águas não apenas haviam levado tudo; simplesmente haviam limpado uma região que precisava ser reconstruída, não somente reformada.

Lamentavelmente era necessário admitir que nem tudo que as águas haviam levado era passível de reconstrução; mesmo porque, vidas não poderiam ser devolvidas.

Mas então, o quê pôde ser recuperado para que pudesse ser reconstruído?

Enquanto uns perderam suas casas, outros ficaram livres de alguma prisão social ou moral. Uns perderam seus pais e outros, seus filhos. Lares foram reconstruídos a partir da formação de novas famílias.

Uns perderam todo dinheiro, enquanto outros não tinham bens a perder; mas apesar da tragédia, não perderam a esperança.

Hoje, passados dois anos, ao tomar conhecimento da ocorrência do mesmo tipo de tragédia, que tem acontecido em outras partes do mundo, me recordo dessas reflexões e começo a entender que minha vida precisava de uma mudança, só não sabia como isso poderia acontecer. Sobrevivi apesar de ter chegado a pensar que não teria forças para isso.

Aprendi lições existenciais que me levaram a banir todas minhas dúvidas quanto a  existência de Deus.

Antes eu não sabia o que era o verdadeiro amor, mas Deus me ensinou a exercê-lo. Antes eu ostentava um certo orgulho e tinha dificuldades para dividir e compartilhar; hoje entendo que a bênção da prosperidade só existe quando se entra no círculo ativo de dar e receber. Antes eu desconfiava das pessoas que tinham pensamentos diferentes dos meus; hoje vejo que o amor de Deus está acima de credos, religiões e comportamentos sociais.

A água, como símbolo de purificação, leva tanto as coisas que estão nos prejudicando, quanto as coisas boas que ainda não nos encontramos em condições de recebê-las, ou tê-las.

Comecei a entender que quando a natureza se volta contra nós, é porque precisamos de um momento para refletirmos se, devido nossas atitudes e comportamentos, não nos encontramos tão longe de Deus, ou Ele tão longe de nós, que nem sequer poderá ouvir nosso grito de socorro?!!..

Você que está tão distante geograficamente, mas tão perto emocionalmente, o considero meu irmão. Hoje foi para você, que tudo desmoronou, mas Deus nosso Pai, que faz nascer o sol para todos está te dando a oportunidade de renascer e de crescer como ser humano.

Em algum momento da nossa vida nos chega a oportunidade de recomeçar. Se chegou a sua hora, não desfaleça, levante-se, busque em Deus coragem para prosseguir, porque Ele nunca desamparou os que se dispõem a mudar para melhor.

Sonia Valerio da Costa

21/04/2009