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Se as Portas se Fecharem, Abram as Janelas

Sabemos que portas e janelas são abertas ou fechadas apenas a partir de uma ação humana; com isso compreendemos que somos os únicos responsáveis pelo que possa acontecer quando decidimos abrir ou fechar uma porta e/ou uma janela.

Constatamos isto em nosso cotidiano, principalmente quando displicentemente esquecemos de trancar com segurança nossa casa, carro, etc. Meu objetivo, porém, é refletir simbolicamente o que portas e janelas representam em nossa vida emocional e espiritual. De um modo geral as portas representam segurança, e as janelas, comunicação.

Lendo a historia de Noé e o diluvio poderemos compreender melhor aonde quero chegar. Tanta era a confiança que Noé depositava em Deus que, após cumprir todas as orientações divinas, permitiu que Ele fechasse a porta da arca pelo lado de fora. Deus em sua sabedoria agiu assim, para proteger a todos que alí estavam, de forma que pudessem sair da arca apenas quando houvesse perfeita segurança. Com essa atitude, Deus estava assumindo total responsabilidade pela integridade e salvação da familia de Noé.

Deus fechou a porta da arca, mas deixou que a janela ficasse sob a responsabilidade de Noé; ele poderia abrí-la sempre que quisesse ou precisasse se comunicar com Deus ou mesmo saber o que estava acontecendo do lado de fora da arca. Noé ficou em paz esperando o tempo necessário para, através dos pássaros, entender o que ele não conseguia ver com seus próprios olhos.

Em determinadas circunstancias da nossa vida, Deus toma atitudes que nos parecem radicais, simplesmente porque Ele, sendo onisciente, sabe que por nossa curiosidade, poderemos nos envolver em catástrofes desnecessárias. Deus nunca nos deixa incomunicáveis ou alienados do mundo exterior. Se Ele nos isola por um determinado período de nossa vida, é para modificar as circunstâncias que poderão nos prejudicar; Ele nos tira de cena para dar solução a determinados problemas, nos poupando de sairmos machucados em situações que nos seriam constrangedoras.

Portanto se nos encontrarmos em alguma situação sem saída, quando costumamos dizer que “as portas estão fechadas”, não será conveniente nos revoltarmos contra tudo e contra todos, ou mesmo nos colocar em posição de coitadinhos. Devemos lembrar que temos um Deus que está no controle de todas as coisas; no momento certo, quando houver segurança, Ele mesmo virá nos abrir a porta. Precisamos entender que portas fechadas por Deus, são para nos proteger e não para nos privar de algo que necessitamos ou desejamos.

Em tempos de portas fechadas sempre haverá uma janela de comunicação com o nosso Deus. Quando nos recusamos a abrir a janela de comunicação com Ele, sofremos emocionalmente pois fazemos falsas conjecturas com respeito ao que desconhecemos, que é o dia de amanhã. O salmista no Salmo 46:10a transmitiu uma palavra profética vinda da boca do próprio Deus que diz: “aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”; a Bíblia NVI diz assim: “Parem de lutar! Saibam que eu sou Deus!”.

Quantos de nós encontramos dificuldades em conviver com o silencio de Deus, principalmente quando Ele nos deixa enclausurados e sem saída. É nesse momento que temos a oportunidade de exercitar nossa fé no Todo Poderoso, em quem temos crido. Não podemos nos esquecer que sempre encontraremos uma janela de comunicação com Deus, pois somente Ele nos confortará em todas as adversidades. Assim como as aves indicaram a Noé qual o momento certo para sair da arca, também seremos orientados através do Espírito Santo de Deus, a entendermos quando é o momento certo que Deus chegará para nos abrir a porta.

Deus é o único Ser que quando fecha uma porta, ninguém abre, mas quando abre, ninguém a pode fechar. (Ap. 3:7) É importante sempre deixarmos aberta a janela de comunicação com Deus, para que quando Ele nos chamar para fora do problema, possamos estar com disposição para receber com alegria a vitoria que nos espera! Assim como Abraão, sejamos fortalecidos em nossa fé louvando e glorificando a Deus em todas as circunstâncias.

Deus é fiel!

Por Sonia Valerio da Costa

Em 07/05/2012

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Trilhando Pelo Caminho das Pedras

(Google Imagens)

Todos nós encontramos muitas “pedras” ao longo de nossa caminhada por esta vida. Na maioria das vezes elas nos machucam e interferem diretamente no nosso estado emocional e comportamental. Se as considerássemos como oportunidades, e não como dificuldades, poderíamos alcançar resultados mais satisfatórios e benéficos para nós mesmos. Não podemos ignorá-las, porém, a solução será encontrada na forma como lidarmos com elas.

Muitas vezes passamos a vida toda pedindo a Deus para remover nossas dificuldades e não percebemos que nos bastaria apenas uma iniciativa ou uma simples atitude, e o problema já estaria resolvido. Como humanos que somos, ou por displicencia ou por falta de sabedoria, jogamos fora as pedras preciosas, colecionamos as que não servem para nada, e ainda ficamos reclamando de nossa “sorte”.

Podemos ignorá-las e seguir em frente ou então mudarmos a direção de nossa caminhada; às vezes tropeçamos em alguma delas e perdemos tempo analisando o tamanho, a qualidade ou mesmo o valor dessa “pedra” e esquecemos de correr atrás de nossos sonhos. Deixamos a vida passar sem realizarmos nada de produtivo pois nos falta coragem de removê-las ou abraçá-las e enfrentar as consequencias que poderão advir de uma ou de outra atitude.

Alguns exemplos bíblicos poderão nos ajudar a compreender melhor essa reflexão. Para ressuscitar Lázaro Jesus ordenou aos presentes que tirassem a pedra que bloqueava a entrada do túmulo (Bíblia Sagrada, João 11:38-45). Marta foi a primeira a questionar o Mestre dizendo que já era de 4 dias e cheirava mal; suas palavras exprimiam a realidade dos fatos, pois com certeza, ninguém alí estaria disposto a sentir o cheiro fétido de um corpo em decomposição. Estavam mais preocupados com o problema em si do que com a solução que Jesus poderia dar; se por um lado estavam se mostrando acomodados à situação de passar o resto da vida sem Lázaro, por outro não criam no milagre que Jesus poderia realizar, trazendo a vida de volta àquele corpo morto e já enterrado.

Quando Jesus chega para solucionar uma de nossas dificuldades, na maioria das vezes, nós mesmos somos o maior empecilho para a realização do milagre. Chegamos ao ponto de vermos nossa bênção ressuscitada ou restaurada, mas não queremos abraçá-la, simplesmente por escrúpulos sociais, pois nos preocupamos com a opinião alheia, de termos enterrado um sonho e agora estarmos novamente buscando sua realização. Poderemos ser acusados de não saber o que queremos, pois uma hora “enterramos” nossos anseios e outra hora os “ressuscitamos”. Cabe aqui dizer que não podemos ser inconstantes como as ondas do mar; precisamos ser definidos em nossas decisões. Se almejamos alcançar um objetivo, não podemos desistir no meio do caminho, até mesmo diante da morte, pois para Deus, que é o dono da vida, a morte é apenas um detalhe.

Temos um outro exemplo quando três mulheres foram visitar o túmulo de Jesus e estavam preocupadas em como removeriam a pedra que havia sido colocada para bloquear a entrada. Quando chegaram perceberam que a pedra já havia sido removida; o proprio anjo do Senhor fez o que elas não poderiam fazer. A pedra não fora removida para que Jesus ressuscitasse, mas para que as mulheres pudessem constatar que o corpo de Jesus não estava mais alí.

Vamos analisar. Se Jesus tivesse ressuscitado sem a remoção da pedra, quem iria comprovar o fato? Com o passar do tempo, mesmo que alguém ousasse remover a pedra para pesquisas científicas a respeito do corpo de Jesus, nada encontrariam e poderiam concluir que os guardas haviam vacilado na segurança, dando ocasião para que alguém pudesse roubar o corpo; assim, a ressurreição passaria a ser um mito não comprovado na historia judaica. Dessa forma entendemos que a pedra foi milagrosamente removida, não para que Jesus ressuscitasse, mas para que a humanidade constatasse com seus proprios olhos, o milagre que acontecera.

Nesse fato podemos entender a vontade soberana de Deus; quando Ele deseja realizar algum propósito em nossa vida, Ele faz acontecer, independentemente da nossa vontade e/ou atitude. Ele mesmo remove os empecilhos e faz com que o sonho seja realizado, não necessitando de nossa interferencia na situação. Nossas preocupações são totalmente dispensáveis diante da vontade do nosso Criador.

Nos exemplos citados anteriormente, tanto na ressurreição de Lázaro, quanto na de Jesus vemos apenas diferença de propósitos e objetivos a serem alcançados por Deus, porém em ambos a pedra representava dificuldades. No primeiro exemplo, Deus levou o homem a uma atitude de remover a pedra, para que através do milagre da ressurreição de Lázaro, Seu nome pudesse ser glorificado entre os homens. Na ressurreição de Jesus, Deus não aceitou nenhuma interferencia humana para que ninguém se achasse digno de adoração, por ter “ajudado” de alguma forma na realização do plano divino de resgatar o homem do seu estado pecaminoso; Deus nos amou de tal maneira, que se deu voluntariamente a si mesmo, para nos trazer salvação. (Bíblia Sagrada, Jo. 3:16)

Encontramos outros acontecimentos registrados na Bíblia Sagrada, onde entendemos que as pedras encontradas foram oportunidades de bênçãos. Após ter vencido os filisteus, Samuel colocou uma pedra entre Mispa e Sem e chamou o seu nome Ebenezer, que significa “Até aqui nos ajudou o Senhor”; aquela pedra simbolizou um altar onde puderam glorificar e exaltar o Nome do Senhor Deus dos Exércitos (Bíblia Sagrada, I Sm. 7:12). Um segundo exemplo de oportunidade foi uma das cinco pedras que Davi utilizou para derrotar Golias que desafiava o povo de Israel (Bíblia Sagrada, I Sm. 17:49).

Se a dificuldade que estamos enfrentando for no âmbito secular, Deus, através de seu Espírito Santo, nos levará até onde a pedra estiver e nos dará orientações para saber se deveremos removê-la de nosso caminho ou utilizá-la como uma oportunidade para a realização do milagre que esperamos. Se for no âmbito espiritual, não precisamos nos preocupar com os obstáculos que bloqueiam nossa vontade de conhecer Deus, pois ao contemplar nossa intenção, Deus mesmo remove as pedras da cegueira e da ignorancia espiritual para que possamos nos encontrar com Ele; somos conduzidos pelo caminho (Jesus), para que possamos ter um encontro de paz com o nosso Criador.

De qualquer forma, sempre será melhor caminharmos em direção ao túmulo de Jesus, para constatarmos que Ele ressuscitou e que através dEle podemos ter comunhão com Deus o Pai e O recebermos como Senhor de nossas vidas. A partir de então Ele nos levará pelos caminhos da nossa existencia e nos mostrará o que fazer com as pedras que encontrarmos, de forma que Ele possa ter a liberdade de realizar tanto os milagres que precisamos, quanto os que desejamos.

“Podemos utilizar as pedras encontradas no caminho, para fazer delas um caminho de pedras.” (Sonia Valerio da Costa)

(Google Imagens)

 
Por Sonia Valerio da Costa
Em 19/07/2011


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Três Mulheres e Um Rei

Conta-nos a historia que entre os anos de 483 a 473 a.C. o Rei Assuero (também conhecido como Xerxes) reinou sobre 127 Províncias, desde a Índia até a Etiópia; seu palacio ficou conhecido como “A Fortaleza de Susã”. Três mulheres se destacaram nesse reinado: Vasti, Ester e Zeres. Ester se tornou a mais conhecida das três, porque a historia épica de como se tornou rainha em lugar de Vasti, acabou sendo amplamente divulgada devido a diversas produções cinematográficas.

Meu objetivo neste texto porém, não será falar apenas sobre Ester, mas sobre o comportamento de cada mulher, e como suas atitudes mudaram, de forma tão marcante, o rumo da historia daquele reino; o livro que nos conta essa historia, além de levar o nome de “Ester”, foi aceito no canon bíblico. Podemos dividir a historia de Assuero em duas épocas distintas: a primeira, quando casado com a Rainha Vasti, onde vemos tipificada a Igreja do Antigo Testamento Bíblico; a segunda, quando casado com a Rainha Ester, vemos tipificada a Igreja do Novo Testamento Bíblico.

O comportamento de Assuero em seu primeiro casamento, tipifica o legalismo das religiões fundamentalistas, nas quais não há complacencia e nem misericordia para com as falhas humanas. O que manda é a lei! As circunstâncias, a ética,  o bom senso, o respeito e a discrição, não são levados em consideração; não há perdão e nem misericordia. Quando Vasti se recusou a apresentar-se diante do Rei, seu marido, o fez no sentido de preservar sua dignidade e reputação, pois sabia que ele já estava com seu coração bastante “alegre” devido ao vinho e ela não queria se expor como objeto de vitrine diante de seus súditos. Ela só não imaginava a consequência radical que sofreria, devido à sua recusa em obedecer as ordens do Rei.

Os conselheiros de Assuero foram rápidos em exigir uma punição para Vasti, não porque estivessem preocupados em cumprir as leis instiuídas, mas em preservar suas próprias autoridades para com suas mulheres; a atitude daqueles homens precipitados, foi apenas um capricho machista e que não tiveram o equilibrio de medir a consequência dos seus conselhos e atos insanos. Ao ser coagido, Assuero acabou acatando o conselho inconsequente de depor Vasti de sua posição de Rainha, mesmo antes que ele voltasse ao seu estado de lucidez. Após a ressaca daquelas duas festas (180 e 7 dias), o Rei caiu em si, porém sua palavra não mais poderia voltar  atrás; sua ordem foi executada e a posição da rainha ficou vaga. Lamentavelmente presenciamos líderes de diversas áreas da sociedade atual, agindo com discriminação em circunstâncias semelhantes; premiam os mais abastados e marginalizam os que não têm quem os defenda.

Percebendo a tristeza do Rei, para que a situação fosse contornada, os conselheiros apresentaram uma solução: convocar todas as virgens do reino para que o Rei escolhesse dentre elas, uma que pudesse assumir a posição de rainha no lugar de Vasti. Baseado na experiência legalista com que lidou em seu primeiro casamento, Assuero passou a ser mais maleável até mesmo na escolha de Ester, sua 2ª esposa. Assuero já não possuía mais atitudes separatistas; já não se preocupava com a origem ou classe social das candidatas. Dessa vez ele preferiu que seu coração falasse mais alto e, com a linguagem do amor, tudo passou a fluir com maior tranquilidade.

Os fatos acontecidos durante o reinado de Ester, tipificam o comportamento das religiões que professam o amor, a caridade, a longanimidade, a paciência e o respeito, tanto entre seus seguidores, como para com os que não comungam com suas ideologias. Como cristã me sinto com liberdade para falar sobre religiões que se dizem cristãs, mas não são imitadoras de Cristo como o Apóstolo Paulo afirmou: “Sede meus imitadores, como também eu de Cristo” (I Co. 11:1)

Quando Jesus veio a este mundo para pregar a Verdade e confrontar os Doutores da Lei, expulsou os mercadores do Templo em Jerusalém, alertando-os que “Sua Casa seria chamada “Casa de Oração” e não covil de ladrões” (Mt. 21:13), creio que muitas denominações precisam ser passadas a limpo, expulsando de seus bastidores e da liderança, todo o engano, falsidade e acordos por conveniências e trocas de interesses pessoais.

A Igreja a.C. era regida por leis, mandamentos e atos religiosos, através dos quais o homem interagia com Deus e dEle recebia perdão; o homem só conseguiria alcançar o favor de Deus, se cumprisse todos os mandamentos da lei mosaica. A Igreja d.C foi fundamentada em Jesus Cristo que veio anunciar a salvação através da Sua graça, manifestada em Sua morte e ressurreição; com Cristo, o homem passou a ter acesso direto com Deus, que pela manifestação de Sua misericordia, nos oferece salvação e perdão de nossos pecados, através de Seu Filho Jesus Cristo.

É bem provável que o leitor já esteja se perguntando, “mas e a 3ª mulher, Zeres?”; essa mulher era esposa de Hamã, que havia sido nomeado pelo Rei Assuero, como Príncipe de todos os Príncipes daquele reino. Era uma mulher astuta e tentou induzir seu marido para que enforcasse Mardoqueu, pois este não se prostrava diante de seu marido; porém, não sabia ela, que se tratava do primo da Rainha Ester. Hamã seguiu o conselho ardiloso de sua esposa e, além de construir a forca para Mardoqueu, conseguiu o aval do Rei para destruir todo o povo judeu que vivia conjuntamente alí no reino.

A Rainha Ester, consciente de que também seria morta, revelou sua origem ao Rei, apresentando Hamã como um traidor tanto seu, como do povo judeu; quando Hamã percebeu que o pedido de clemência feito por Ester, seria reconsiderado, lançou-se aos seus pés para que a Rainha intercedesse por ele junto ao Rei. Ao presenciar aquela cena ridícula, o Rei Assuero se enfureceu, pois entendeu que Hamã estava querendo seduzir a Rainha Ester. Aquela atitude de furia foi suficiente para que Hamã entendesse que sua morte já estava decretada pelo Rei Assuero.

Harbona, um dos eunucos daquele reino comunicou ao Rei Assuero sobre a forca que Hamã havia construído para Mardoqueu; então o Rei determinou que Hamã fosse enforcado nela e paralelamente permitiu que os judeus se defendessem dos ataques decretados para sua extinção. Terminada aquela guerra civil, os dez filhos de Hamã também morreram enforcados pelos próprios judeus.

A atitude de Zeres, tipifica a parte da Igreja do Novo Testamento, que não assume um compromisso de fidelidade para com Deus, mas está sempre a promover divisões eclesiásticas, e a semear discordias e contendas nas Congregações. Sua atitude pode ser comparada ao comportamento das “virgens loucas” que sem provisão de azeite suficiente para manter suas lâmpadas acesas, ainda tentaram extorquir a reserva das “virgens prudentes”; sem sucesso, se viram obrigadas a se arriscarem a sair em busca de azeite. Mas foi justamente nesse meio tempo que o noivo chegou e introduziu as “virgens prudentes” em suas bodas e fechou a porta; quando as “virgens loucas” voltaram, bateram na porta, mas não puderam mais entrar; apenas ouviram a voz do noivo, anunciando lá de dentro: “em verdade vos digo que vos não conheço”. (Mt. 25:1-13)

É inútil se levantar contra a Igreja de Jesus Cristo, fundada na cruz do calvário. Essa Igreja universal composta de pessoas que adoram a Deus e aceitam Seu Filho Jesus Cristo como único Caminho para a salvação de suas almas, tem total proteção de suas almas durante toda a eternidade. A vida neste mundo é passageira e a única coisa certa é a morte deste corpo, seja de que forma for; nossa preocupação deverá ser apenas onde e com quem passaremos a eternidade. Com certeza passaremos nossa eternidade futura com o Deus que adoramos no presente.

Sejamos como a Rainha Ester, que na hora da dificuldade, conclamou a todos os judeus para que se conscientizassem e reconhecessem a necessidade que temos de depender de Deus em todas as circunstancias; somente Ele poderá providenciar livramento para os que clamam por Sua misericordia.

O Apóstolo Paulo deu essa mesma recomendação a Timoteo: “Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graça por todos os homens; pelos reis e por todos que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade. Isso é bom e agradável perante Deus, nosso Salvador, que deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade. Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, o qual se entregou a si mesmo como resgate por todos.” (I Tm.2:1-6)

Palavra ministrada por
Sonia Valerio da Costa
Em 23/05/2008
 

Uma Outra TPM

(Imagens Google)

Meu propósito não é falar da TPM popularmente conhecida como “tensão pré-menstrual”, mas sim do “Transtorno de Personalidades Múltiplas”.

A primeira TPM, além de atingir apenas as mulheres, já é facilmente contornável com simples medicamentos e algumas doses de paciência; sua origem é física ou biológica. Já a segunda TPM, além de atingir tanto homens como mulheres, tem origem em traumas da infância e vão se manifestar como transtornos mentais principalmente na fase adulta.

Essa TPM surge repentinamente em crises de alter egos detonados pela interação de diversos fatores. Muitos estudiosos porém, defendem que o desencadeamento desta patologia tem sua origem em abusos sexuais durante a infância do paciente e também pode ser desencadeada por meio de quadros de grande estresse pós-traumático.

O paciente cria diversas personalidades para que ele mesmo vivencie de uma forma dissociada e anormal da consciência. Seria um mecanismo de defesa para ocultar as lembranças traumáticas e doloridas vivenciadas em outros periodos da vida. A TPM trata-se da criação de diversas personalidades dentro de um mesmo individuo, sendo que essas personalidades são completas e complexas. Cada uma delas se evidencia a um momento, tem suas próprias memórias, nem sempre reconhece outra personalidade vivenciada em momento anterior e, quando isso ocorre, pode rivalizar ou fraternizar com a atual.

Existem casos que a pessoa convive com apenas uma das personalidades desenvolvidas e portanto não demonstra anormalidade. Porém, pessoas mais próximas costumam presenciar mudanças bruscas de comportamento que passam pela forma de falar, agir, vestir, desaparecimentos eventuais e falta de explicação para esses “sumiços”.

Escrito com a ajuda de Clifford Thurlow, o livro “Hoje Sou Alice – Nove personalidades, uma mente torturada” (Editora Larousse do Brasil, 2010), é “um relato verdadeiro e extremamente pessoal dos eventos que se deram ao longo da minha infância e de como continuam assombrando minha vida adulta”, como afirma a própria Alice. “Sofri abuso sexual, físico e emocional até os 16 anos de idade, e não contei a ninguém”, destaca.

A melhor atitude é ter a coragem de denunciar o abusador, seja quem for, mesmo que pai ou mãe. A maior dificuldade para se tomar essa iniciativa é a preocupação com o que a sociedade, ou as pessoas próximas ao nosso convívio social vão pensar.

Temos que admitir a ocorrência desses abusos sexuais de pedofilia, independentemente de nível econômico, social, poder aquisitivo ou religioso; quando acontece em familias tradicionais da sociedade ou principalmente no meio cristão, os familiares preferem manter o paciente prisioneiro de suas próprias personalidades criadas por ele como forma de fuga, do que buscar tratamento e proporcionar um “escândalo” envolvendo o nome da família.

É lamentável quando os familiares preferem conviver com um parente tido como louco e anti-social, do que buscar ajuda para libertação dessa pessoa. Nesses casos, a própria familia se torna inimiga do seu doente, simplesmente porque não querem chegar ao âmago da questão e resolver o problema de vez.

Decidi escrever sobre este assunto, pois percebi que meu artigo sobre Cristãos Bipolares, escrito no sentido espiritual, foi muito mais acessado para buscar informações de solução física. Ainda existe muita resistência no meio evangélico em relação à distinção de doenças de cunho psicológico e psiquiátrico e a possessão demoníaca. Precisamos entender de uma vez por todas, que nem tudo é possessão demoníaca e muito menos culpa do diabo.

Muitas doenças são desencadeadas pela nossa própria desobediência moral e espiritual; quantos pais percebem que está acontecendo algo estranho com seus filhos, porém, ao invés de investigarem o que está acontecendo para que possam em tempo evitar uma desgraça, preferem assistir as novelas e os jogos de futebol, ou mesmo pegarem um cinema para assistir estréias e pré-estréias, pois afinal, eles merecem e estão muito cansados… não é mesmo?…. Dura realidade que a atual sociedade enfrenta.

Para que a tortura enfrentada pelo paciente que possui a TPM, possa ser melhor compreendida, vou transcrever um trecho do livro de Alice, conforme publicado na revista “Psique Ciência & Vida” de onde extraí as informações deste texto. Vejam: “Eu estava ‘possuída’ não por algo externo – demônios, diabo, espíritos bons ou maus -, mas por personalidades alternativas que emergiam independentemente da minha vontade ou conhecimento e que se tornavam aos poucos mais auto-conscientes e confiantes… fiz uma lista dos suspeitos: bebê Alice; Alice nº 2, que tinha dois anos e gostava de chupar pirulitos grudentos; Billy; Samuel; Shirley; Kato; e a enigmática Eliza… Estava cercada por personalidades alternativas, como se cada uma representasse um aspecto meu em particular enquanto ocultava minha personalidade real, completa, de mim mesma e do mundo.”

No livro, Alice pergunta: “O que é Transtorno de Personalidade Múltipla?” E responde subjetivamente: “é uma garotinha que imagina que o abuso está acontecendo com outra pessoa. Aí está o núcleo do distúrbio, o que dá origem a todos os outros traços. Essa fantasia é tão intensa, tão subjetivamente convincente e adaptativa, que a criança abusada tem aspectos próprios dissociados em outras pessoas. Essa é a característica principal, e também o que torna a doença tratável, pois a fantasia pode ser superada no momento em que o paciente confronta o passado e lida com ele.”

O  psicanalista, doutor em Psicologia Clínica  e Professor da Universidade Mackenzie, Ivan Ramos Estevão ainda fala de uma transtorno mais leve de comportamento que é a “dualidade humana” e que está na essência do homem. “A divisão da pessoa se vendo fazer coisas contrárias ao que faria normalmente é muito comum. Algumas têm a tendência a querer ser de um jeito que muitas vezes não corresponde ao que ela é. Às vezes a gente se pega fazendo coisas nas quais não nos reconhecemos. Dizemos ‘não era eu, eu estava fora de mim’. É que, dependendo das circuntâncias da nossa vida, o inconsciente é que nos move e não nos damos conta. É quase como se a gente virasse outra pessoa. O ser humano é múltiplo e tenta esconder os impulsos e fantasias, mas quando isso vem à tona, parece outra pessoa.”

A dualidade e a falta de conhecimento acerca de si, podem ser constatadas com facilidade em perfis nas comunidades virtuais na Internet. “Muitas pessoas não conseguem se definir e acabam usando o recurso dos poemas para isso. Uma prova da dificuldade em se saber quem a gente é”, argumenta Estevão.

Conheça as possibilidades de tratamentos propostos no artigo consultado onde  especialistas indicam alguns tratamentos para o transtorno de personalidade múltipla, além da prescrição de medicamentos:

Psicoterapia – visa reconectar o individuo às suas diferentes identidades, com o objetivo de levá-lo a restabelecer uma única identidade funcional, possibilitar a expressão e o reprocessamento das memórias traumáticas e dolorosas; apoiar e estimular sua reinserção social.

Terapias familiares – objetivam orientar parentes a lidar e apoiar o portador do transtorno, assim como com os conflitos gerados por ele e pelo distúrbio em si.

Arteterapia – possibilita ao paciente acessar, explorar e expressar de formas diversas seus sentimentos e pensamentos.

Fonte: Psique Ciência & Vida, vol. V, nº 56, Ago. 2010. p. 24-31

Saiba mais:

Psicosite

ABC da Saúde

Psicologia na Net

“Que todas estas palavras que hoje lhe ordeno estejam em seu coração. Ensine-as com persistência a seus filhos. Converse sobre elas quando estiver sentado em casa, quando estiver andando pelo caminho, quando se deitar e quando se levantar.” (Bíblia Sagrada NVI, Dt. 6:6-7) Que possamos lembrar dessa orientação que o próprio Deus nos deixou; devemos conversar e educar os filhos para que temam o Deus que os formou no ventre materno.

Postado por Sonia Valerio da Costa
Em 19/02/2011

Quando Começamos a Amar…

 

O objeto amado ou objeto do desejo, pode ser para o menino, alguém que se assemelhe à figura materna e, para a menina, a figura paterna.

Todos nós temos uma imagem formada de nosso objeto de desejo e procuramos nos objetos do mundo, algo que se assemelhe a ele. Não é todo dia que encontramos aquilo que é a imagem exata de nosso desejo; quando encontramos, sabemos bem identificar.

Quando o identificamos ou melhor, nos identificamos com essa figura inconsciente, formada dentro de nós, passamos a investir libido nesse objeto de desejo e então  dizemos que começamos a amar. É normal que nessa fase, tenhamos conflitos existenciais, proporcionando medo e dúvida por não saber ainda, se é amor ou apenas uma amizade.

Para esclarecer essa diferença de amores, precisamos entender que o amor que resulta apenas em amizade, é porque o investimento de libido foi inibido em sua finalidade genital. Portanto, toda relação afetiva, seja de amor ou amizade, é do ponto de vista da psicanálise, um investimento de energia sexual.

Assim, alguns investimentos em objetos de desejo que nos identificamos, a finalidade é inibida e tornada inconsciente, sobrando para o consciente, apenas um sentimento de amizade. O investimento de amor, carinho e compreensão, é o mesmo para os dois tipos de amor; a diferença está apenas que, para o amor, a libido é liberada conscientemente e para a amizade, a libido é bloqueada no inconsciente.

Quando se encontra o objeto do desejo a libido age de forma racional, pois analisa os prós e os contras, para que, havendo desejo de ser liberada, que essa liberação seja feita de forma consciente. Uma forte amizade que não consegue conter o investimento da libido, proporciona a existência do amor no sentido pleno da palavra.

O contrário também é possível; quando não se consegue superar traumas antigos por questões ou convenções sociais, a libido acaba sendo bloqueada involuntariamente; assim, o que poderia ser um amor no sentido pleno da palavra, acaba não conseguindo ser, nem memo uma amizade.

Esses traumas podem ser superados com a ajuda de aconselhamento pastoral, desde que seja alguém de muita confiança, idoneidade e que tenha preparo para esse acompanhamento; é de muita importancia também, a terapia feita com  profissionais da área da psicologia e mesmo psiquiatria.

A ciência do comportamento tem se expandido bastante nas últimas décadas, mas ainda tem sido vista com certas reservas por alguns cristãos fundamentalistas, que acreditam que apenas oração e leitura bíblica são suficientes para superação de traumas emocionais.

O mal deste século tem sido a depressão, causada principalmente pela solidão e falta de alguém com quem possamos compartilhar nossas vivências. A amizade virtual é muito boa, porém não substitui o calor humano, que só pode ser usufruido em sua plenitude, quando podemos abraçar pessoalmente a quem amamos.

Certa vez, um dos doutores da lei, perguntou para Jesus, para o experimentar, dizendo: “Mestre, qual é o grande mandamento na lei? E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo semelhante a este é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas” (Bíblia Sagrada, Mt. 22:35-40)

Com base nestes mandamentos, como poderemos amar nosso próximo como a nós mesmos, se não conseguimos obter uma interatividade pessoal com ele? É apenas na convivência pessoal que conseguimos desenvolver sadiamente frutos do Espírito em nosso carater, com relação aos sentimentos de tolerência, bondade, benignidade, paz, mansidão, temperança, amor, confiança e paciência; se não tivermos contato pessoal e físico com o nosso semelhante, esses frutos serão improdutivos.

Não podemos nos enganar: ser cristão dentro de um templo (igreja), ou apenas no mundo virtual, é muito fácil; porém, o dia que nossos frutos forem colocados à prova, poderão ser reprovados pelo fogo.

Vamos exercitar o amor fraternal, que é o amor amigo; quanto ao amor que houver uma predisposição de se investir nossa libido, que seja exercido apenas entre pessoas de sexos opostos, pois esse amor é o amor conjugal, aprovado por Deus que o instituiu, e que proporciona a perpetuação da nossa espécie.

Não ofereça apenas amizade a quem está pedindo amor. Não ofereça amor a quem só pode dar amizade. Em ambas as situações, os sentimentos serão destruídos e proporcionarão corações machucados, feridos e traumatizados. Não podemos brincar com os sentimentos de ninguém.

Fonte: BOCK, Ana M. Bahia e outros. Psicologias: uma introdução ao estudo de psicologia. 9.ed. São Paulo, Saraiva, 1996.

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Por Sonia Valerio da Costa
Em 01/02/2011

Trincheiras Invisíveis

Quando falamos em trincheiras logo nos vem à mente diversos termos que representam o significado dessa palavra. Primeiro lembramos de proteção. Principalmente nas guerras, as trincheiras são construídas  como forma de proteger os soldados dos ataques inimigos. Depois nos sugere também a existência do medo. Se não houvesse esse sentimento, as trincheiras perderiam o sentido de existir; por exemplo, no caso dos soldados, se não fosse o medo, não se sentiriam compelidos a buscar proteção atrás delas.

As trincheiras também nos oferecem confiança. Atrás delas, os soldados se sentem um pouco mais tranquilos, pois sabem que formam uma barreira suficiente para receber o impacto das bombas inimigas. Contamos também, com a segurança que elas oferecem durante o combate; nenhum soldado em sã consciência arriscaria sua vida numa guerra, se não pudesse contar com um mínimo de segurança. Mesmo que elas sejam destruídas, os soldados serão preservados.

Mas até agora, falamos apenas das trincheiras visíveis, porém sem essa compreensão teriamos maiores dificuldades para alcançar o principal objetivo deste texto, que é falar das invisíveis, que são aquelas criadas em nossa mente, para nos proteger dos ataques imperceptíveis nos relacionamentos sociais.

Nossa predisposição para o relacionamento social é que vai determinar se teremos uma guerra a enfrentar, ou acordos de paz a serem feitos. Em 24/01/2011, no Jornal da Band, pudemos ouvir uma expressão muito interessante da filósofa Márcia Tiburi: dizia ela, “como eu faço para viver junto com o outro? sob uma perspectiva egoísta, o outro é meu inferno e eu quero acabar com ele; sob uma perspectiva de compaixão, ele é meu paraíso e eu quero integrá-lo, compreendê-lo, conhecê-lo”.

Ninguém pode se considerar inteligente, competente e com conhecimento o bastante para declarar-se auto-suficiente. Sempre teremos algo que desconhecemos e que precisaremos buscar ajuda para a solução dos problemas que se apresentam diante de nós.

São nesses relacionamento sociais que criamos as trincheiras invisíveis para nos proteger. Essas atitudes sempre são decorrentes de situações traumáticas já vivenciadas anteriormente. Sempre que tentamos uma aproximação e não conseguimos transpor os desentendimentos iniciais, vamos acumulando desgostos e experiências negativas, até que perdemos a confiança em novas oportunidades de relacionamento.

Devido ao medo de nos decepcionarmos mais uma vez, preferimos a segurança de criarmos uma trincheira invisível, com a qual sentiremos confiança de que estaremos protegidos de uma nova decepção.

Propositadamente negritei quatro palavras do parágrafo anterior, pois quando elas passam a existir conjuntamente dentro de nós, acendemos   o sinal vermelho e, inconscientemente, começamos a construir trincheiras invisíveis, ou fugindo de tudo e de todos, ou criando uma personalidade agressiva para intimidar aqueles que se achegarem a nós, buscando alguma forma de contato.

O maior problema dessas “trincheiras”, é que ao invés delas nos ajudarem socialmente, elas nos levarão sutilmente para o isolamento e solidão física; como fomos criados para viver e conviver em sociedade, essa atitude de nos afastarmos do convívio social, poderá gerar consequências às vezes irreversíveis, como doenças psicossomáticas, psicológicas e até mesmo mentais.

Precisamos entender que não somos os únicos a nos decepcionar com pessoas, pois nós mesmos, com certeza, já decepcionamos alguém. Outro ponto a considerar, é aceitarmos, dentro de um limite razoável, as diferenças de comportamento dos outros, entendendo que, se nós “suportamos” os outros, eles também irão nos “suportar”. Neste ponto ainda é necessário entender que, todos nós, em algum momento, seremos pessoas “non gratas” e sempre teremos que lidar com isso da melhor forma possível, sem que essas situações desagradáveis venham roubar nossas noites de sono.

O importante é não criarmos mais barreiras do que as que normalmente existem, para que possamos ter um mínimo de condições de nos manter inseridos de forma sadia na sociedade em que vivemos. Vale dizer também aqui, a respeito da importância de encontrarmos um ponto de afinidade com o “outro”, pois isto será uma porta aberta para o relacionamento social.

Não podemos construir barreiras, muros ou trincheiras; precisamos construir pontes de amizade, amor, carinho, companheirismo, compaixão, ternura e confiança mútua para, como disse a filósofa Márcia Tiburi, vivermos num paraíso, produzido pela integração, compreensão e conhecimento.

A única “trincheira invisível” que poderemos utilizar pela fé, é Jesus Cristo, pois Ele “apagará todos os dardos inflamados do malígno” (Bíblia Sagrada NVI, Efésios 6:16b); esses dardos, que também são invisíveis, atacam nossa mente para nos desviar da verdade da Palavra de Deus. Nesse mesmo capítulo do Livro da carta aos Efésios, o Apóstolo Paulo diz assim: “Pois nós não estamos lutando contra seres humanos, mas contra as forças espirituais do mal.” (Bíblia Sagrada NTLH, Efésios 6:12a)

Assim, precisamos entender que as decepções de relacionamento que enfrentamos, nos servem como aprendizado para um amadurecimento de nossa personalidade e também como experiência de vida; com essa “bagagem” de experiências poderemos ser usados por Deus, para incentivarmos os mais jovens que estiverem enfrentando esse mesmo tipo de situação. Poderemos dizer-lhes com propriedade, que todas essas coisas são passageiras e totalmente administráveis, principalmente quando temperadas com amor.

“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três: porém o maior destes é o amor.” (Bíblia Sagrada NVI, I Coríntios, 13:13)

Sonia Valerio da Costa
Em 25/01/2011

Sustentabilidade Insustentável

Nas últimas décadas este assunto tem sido discutido internacionalmente, tanto, que cheguei a pensar que já tivesse sido esgotado; porém, quando nos deparamos com tragédias sem precedentes como os deslizamentos das encostas serranas do Rio de Janeiro, acontecidos na semana passada,  percebemos que ainda há muita coisa a ser feita, para que essa situação possa ser revertida.

No meu entender, o cerne da questão está no equilibrio ambiental que começou a ser afetado, desde que o homem desafiou a Deus, pensando que já havia adquirido conhecimento suficiente, para se auto-sustentar. Nesse desentendimento com seu Criador e por insubmissão às ordens, regulamentos e regimentos internos do “lar” que Deus criou para que habitássemos juntamente com Ele, o homem não teve outra escolha a não ser sair de casa e “conhecer o mundo”.

Quero aqui destacar duas situações semelhantes quanto a esse tipo de separação. A primeira história aconteceu entre Abraão e Ló. Deus havia assumido um compromisso com Abraão; Ló, seu sobrinho o acompanhou até certo ponto da jornada, mas acabou preferindo seguir seu caminho, por sua própria conta e risco. Assim, aproveitando-se de um desentendimento entre os empregados de ambos, separou-se de seu tio e preferiu seguir pelas campinas de Sodoma e Gomorra. O fim de Ló foi trágico, porque teve que abandonar tudo o que havia construído, pois o lugar que escolhera para viver, estava condenado à destruição. Ele e suas duas filhas foram os únicos sobreviventes.

A segunda história foi contada por Jesus. Um jovem decidiu sair do seu lar, por entender que possuía experiência suficiente; se apossando de seus pertences, inclusive de sua herança, partiu sozinho pelas estradas da vida, para “conhecer o mundo”. Depois de perder tudo o que possuia, inclusive sua identidade, dignidade e também sua moral, não encontrou outra alternativa, a não ser retornar ao lar e reintegrar-se novamente à sua família. O pai desse jovem já estava preparado para o retorno de seu filho, pois baseado em sua experiência de vida, sabia que mais dia, menos dia, isso iria acontecer; tanto que, ao vê-lo de longe, correu para abraçá-lo. Para comemorar, promoveu uma grande celebração com sua família e amigos.

Estas duas histórias, ilustram bem, que o Pai Celestial aguarda nosso retorno para Ele. Estamos vivendo no lugar que Deus criou para que habitássemos com Ele, porém, estamos destruindo a “casa” dEle com as nossas atitudes inconsequentes de agressão à natureza.  A ética nos ensina que quando estamos na casa dos outros, precisamos nos submeter às regras daquele lugar; mas estamos agindo como crianças birrentas que não querem, nem estão dispostas a obedecer as ordens de seus pais.

Para que possamos entender melhor sobre a Terra e o Universo como morada de Deus, vejamos o que está escrito na Bíblia Sagrada: “O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés. Que espécie de casa vocês me edificarão? É este o meu lugar de descanso?” (Bíblia Sagrada NVI, Isaías 66:1)

O “castigo” e os grandes “puxões-de-orelha” que estamos recebendo de forma gritante, não vêm da parte de Deus nosso Pai, mas de suas criaturas que são radicalmente obedientes ao Seu Criador. Se faz necessário mudarmos nossas atitudes para com a natureza, pois não adianta pensarmos que as tragédias vão acontecer apenas na casa do “vizinho”; todos nós, indistintamente, sofreremos as consequências, seja por epidemias, seja pela alta da inflação em decorrência dos bilhões de prejuízos que estão sendo somados a cada dia.

“Devemos voltar a pensar a sociedade não contra a natureza, mas com ela; e a natureza como sendo – ela mesma – um sujeito dotado de humanidade”. (Roberto DaMatta – O Desastre Ecológico e a Ideologia Moderna)

“Quanto mais um sistema ou modo de vida está construído sobre o verde e a fotossíntese, mais ele é renovável e sustentável… Até que se apague o sol”. (Evaristo E. de Miranda – A Sustentabilidade é verde)

Veja a seguir as perguntas que Deus fez para Jó, quando ele havia perdido tudo e só lhe restava um caco de telha para se coçar: “Quem primeiro me deu alguma coisa, que eu lhe deva pagar? Tudo o que há debaixo dos céus me pertenceOnde você estava quando lancei os alicerces da terra? Responda-me, se é que você sabe tanto! Quem marcou os limites das suas dimensões? Talvez você saiba! E quem estendeu sobre ela a linha de medir? E os seus fundamentos, sobre o que foram postos? Quem represou o mar pondo-lhe portas, quando ele irrompeu do ventre materno, quando o vesti de nuvens e em densas trevas o envolvi, quando fixei os seus limites e lhe coloquei portas e barreiras, quando eu lhe disse: Até aqui você pode vir, além deste ponto não; aqui faço parar suas ondas orgulhosas? Quem dá à luz a geada que cai dos céus, quando as águas se tornam duras como pedra e a superfície do abismo se congela?” (Bíblia Sagrada, NVI – Jó, 41:11; 38:4-6; 8-11; 29-30)

Toda a criação obedece as leis de seu Criador; somente o homem, único ser racional criado, coloca de lado sua racionalidade e desobedece as leis da natureza, estabelecidas pelo próprio Deus que a criou.

Quanto de espaço que o homem já “roubou” do mar? Quanto represamento de águas, com barragens insuficientes para contê-las durante as cheias. Quanta poluição tem sido lançada na atmosfera? Quanto lixo não degradável tem sido jogado nas águas límpidas dos rios e corredeiras, comprometendo a água potável?

Tem sido a própria natureza que está “gritando” S.O.S. e falando em linguagem sem palavras, que estamos transtornando o Planeta Terra. Cada novo deslizamento, cada nova inundação, cada novo terremoto, cada novo ciclone, estamos sendo alertados de que estamos nos auto-destruindo.

A solução está nas mãos dos governantes nacionais e internacionais que precisam agir com maior sensibilidade, disponibilizando verba para o que realmente importa, com o fim de manter a sustentabilidade da natureza de forma equilibrada. Lembremos que Deus está no seu “sétimo dia”, desde quando terminou de criar todas as coisas, e viu que tudo era muito bom e estava funcionando na mais perfeita ordem.

“E Deus viu que tudo o que havia feito, e tudo havia ficado muito bom. Passaram-se a tarde e a manhã; esse foi o sexto dia. Assim foram concluídos os céus e a terra, e tudo o que neles há. No sétimo dia Deus já havia concluído a obra que realizara, e nesse dia descansou. Abençoou Deus o sétimo dia e o santificou, porque nele descansou de toda a obra que realizara na criação”. (Bíblia Sagrada, NVI, Gênesis, 1:31 a 2:1-3)

Quando esse “tempo de descanso de Deus” terminar, Ele enviará seu Filho Jesus Cristo, pela segunda vez, para restabecer a perfeita ordem, e não a ordem mundial que o homem está tentando implantar, fazendo reuniões intermináveis que nunca chegam a acordo nenhum.

“Aquietem-se todos perante o Senhor, porque Ele se levantou de sua santa habitação.” (Bíblia Sagrada, NVI, Zacarias, 2:13)

“Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundância de paz. O ímpio maquina contra o justo, e contra ele range os dentes. O Senhor se rirá dele, pois vê que vem chegando o seu dia”. (Bíblia Sagrada, NVI, Salmo 37:11-13)

Nossa insubmissão tem um preço impagável e ninguém quer assumir o êrro; a consequência tem sido uma total destruição, que vem acontecendo sequencialmente, como toda reação em cadeia.

O homem precisa reconhecer que não possui capacidade para querer sustentar o insustentável. A sabedoria está em abrirmos mão dessa loucura insana e devolver a Deus o controle do ecossistema, pois somente assim poderemos sobreviver neste caos ecológico que nós mesmos produzimos.

Sonia Valerio da Costa
Em 19/01/2011