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Archive for the ‘Crônicas’ Category

O Perigo de ser uma das 99!

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Já era tradição; todos os dias,  quando voltavam das pastagens, o pastor  abria a porta do curral e conferia a entrada do seu rebanho de ovelhas. Se a contagem estivesse correta, então o Pastor iria cuidar de uma por uma; verificava se havia algum carrapicho, ferimento ou machucado. Fazia os curativos necessários e já preparava as ovelhas para o descanso da noite. No dia seguinte, acordavam com o raiar do sol e novamente saiam para as pastagens.

Às vezes acontecia do pastor colocar as ovelhas dentro do curral e, com um semblante de preocupação ficava olhando em direção à linha do horizonte; então fechava a porta do curral e voltava pelo mesmo caminho de onde haviam chegado. Algumas vezes retornava logo em seguida; outras vezes, seu retorno era demorado. Um coisa era certa, sempre voltava trazendo uma ovelha machucada em seus ombros.

As ovelhas mais adultas e que já haviam presenciado essa cena tantas vezes, começaram a se preocupar com a segurança e integridade do pastor. Mas o que elas poderiam fazer, se eram totalmente indefesas?! Além disso, o pastor sempre tinha o cuidado de trancar a porta do curral, para que elas pudessem ficar em segurança.

Numa dessas vezes que o pastor precisou retornar pelo caminho, o tempo foi passando e a noite chegou, trazendo consigo todos seus mistérios assustadores; barulhos desencontrados dos pássaros noturnos, dos animais se revolvendo sobre folhas secas, e ao longe se ouvia lobos uivando.

A noite parecia interminável, até que o dia já começava a clarear, quando perceberam que o pastor vinha retornando com mais uma ovelha sobre os ombros. Essa havia sido a primeira vez que passaram a noite sozinhas. Somente algumas conseguiram dormir um pouco; as demais começaram a conjecturar a respeito do que poderia ter acontecido com o pastor, pois nunca havia demorado tanto.

Divagando nos seus pensamentos, chegaram a pensar que o pastor não voltasse mais. Quem sabe se não teria sido atacado por algum lobo, ou mesmo ter escorregado em algum despenhadeiro e sumido para sempre.

(Google Imagens)

(Eu estava alí acompanhando em silêncio aquela cena, apenas analisando qual seria a reação daquelas ovelhas. Pude ver alí três grupos distintos. Cada ovelha procurou se aproximar do grupo que mais se aproximava de sua própria opinião.)

Um primeiro grupo formado das ovelhas mais avançadas em idade,  comentavam que nunca haviam dado trabalho para o pastor. Afirmavam que sempre tiveram bom comportamento e sempre obedeciam as ordens recebidas; por isso esbanjavam saúde e  nunca precisaram de um curativo sequer. Falavam solenemente, como se fossem donas da verdade e que, hoje em dia, as ovelhas mais jovens estavam muito abusadas e insubmissas às ordens dadas pelo pastor.

Um segundo grupo, formado por ovelhas mais jovens, apesar de terem sentido um forte medo durante a ausência do pastor, comentavam entre si, a respeito das aventuras que já haviam vivenciado. Várias delas, em outras ocasiões, também se distanciaram do grupo e acabaram se perdendo. Falavam dos medos, das dores, dos machucados que sofreram, e da emoção que sentiram quando viram o pastor se aproximando, com um semblante de amor misturado com alegria, chegando de mansinho para buscá-las.

Quanto ao terceiro grupo nem foi necessário chegar perto, pois cada uma queria falar mais alto que a outra, para que sua opinião pudesse prevalecer e ser aceita como verdade pelo grupo. Umas criticavam as ovelhas que tinham sido compradas de outro rebanho; com elas foram introzidos costumes diferentes, o que estava transtornando a cabeça das ovelhas mais jovens. Outras acusavam o próprio pastor de não tomar atitudes mais severas para com as ovelhas desobedientes.

Nesse momento, uma ovelha, aproveitando um pequeno espaço de silêncio, foi mais longe nas suas considerações, passando a criar sentimentos de indignação e revolta para com a ovelha que era trazida nos ombros do pastor; ela dizia assim: “eles já estão chegando… e podem se preparar, pois ao invés de colocá-la de castigo para aprender a lição, com certeza ele vai é promover uma festa para ela”.

Mal acabou de falar, o pastor entrou com a ovelha nos ombros; deitou-a sobre a relva e acabou de curar suas feridas. Daquela vez o pastor tivera que superar seus próprios limites, para conseguir resgatar aquela ovelha que estava semi-morta diante dele. Levantou os olhos, passou seu olhar pelas ovelhas e sentiu-as inquietas. Conhecedor do comportamento de cada uma delas, logo entendeu o que se passava em suas pequenas cabecinhas.

Daquela vez, entendeu que deveria agir de forma diferente. Chamou a mãe daquela ovelhinha e perguntou-lhe se ela havia dado falta de sua filhotinha; ela abaixou a cabeça envergonhada, pois nem havia dado falta de sua ovelhinha; até então pensava que ela estivesse com as outras amiguinhas, com as quais costumava brincar.

Então, diante daquela cena, ajoelhou-se diante do pastor e pediu-lhe perdão, dizendo que durante sua ausência, ela era a que mais havia instigado as demais ovelhas do rebanho, contra as atitudes que o pastor havia tomado até então;  que o pastor, ao invés de promover festa quando uma ovelha fosse resgatada, o certo seria dar um bom castigo. Somente assim elas aprenderiam a lição e não iriam mais desobedecer as ordens do pastor.

Aquela cena emocionou todo o rebanho, e fez com que uma a uma fosse  chegando perto do pastor para que fossem perdoadas coletivamente. Todas se sentiram culpadas por terem participado de julgamentos precipitados quanto às atitudes, tanto do pastor, quanto das ovelhas desobedientes. Quando a paz e a serenidade voltou a reinar naquele lugar, as próprias ovelhas tomaram a iniciativa de promover uma grande festa. Agora, não seria comemorado apenas o resgate de uma ovelha perdida, mas também a união que havia sido proporcionada naquele rebanho.

Daquele dia em diante todas cuidavam de todas e todas vigiavam todas; como se cada uma assumisse juntamente com o pastor, a responsabilidade de cuidar do rebanho. Foi o melhor tempo vivido por aquele rebanho pois conseguiram evitar que outras ovelhas se perdessem. E os lobos… ah!… os lobos tiveram que procurar outros rebanhos displicentes, pois se ficassem por alí, perceberam que passariam fome.

“Quando Jesus contou aos discípulos a Parábola da Ovelha Perdida, estava se referindo à vida espiritual e de nossa comunhão com Deus. Jesus se apresentou como o verdadeiro Pastor, pois Ele cuida de cada um de seus filhos, indistintamente e de forma particular, conforme a necessidade de cada um. Jesus nunca teve atitudes tendenciosas, vinculadas ao nosso comportamento. Ele veio para exercer misericórdia para conosco, e através desse tão grande amor, Ele quer que nós também nos amemos uns aos outros como Ele nos amou. Aceite a Jesus como seu Pai e também como seu Pastor; assim, como filho e também como ovelha dEle, você será participante desse amor imensurável.”

 

 

 

 

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Sonia Valerio da Costa
24/02/2010

Bons Samaritanos

(Google Imagens)

“Comecei a andar sem rumo; havia perdido minha identidade. A fome apertava e tudo que conseguia comer, não era suficiente para manter meu peso. Fui emagrecendo, perdendo a disposição e meu semblante já não era o mesmo.

Há alguns dias atrás, me ofereceram comida e água à vontade; dessa vez consegui me alimentar suficientemente, mas quando pensei em agradecer, já não vi mais ninguém. Voltei a andar; andar sem rumo, pois essa era a única atividade que me distraia.

De repente, comecei a transpirar; será que havia comido demais? Não conseguia entender o que estava acontecendo comigo. Sentia algo estranho percorrendo meu corpo; um tremor e uma fraqueza foram tomando conta de minhas pernas.

A preocupação de que eu pudesse desmaiar em algum lugar que não houvesse ninguém, fez com que eu reunisse todas as forças que ainda me sobravam para encontrar um lugar de um considerável número de pessoas passando. Foi então que me ocorreu a idéia de subir as escadas da Estação de Metrô Corinthians-Itaquera. Caminhei pela estação e o melhor lugar que encontrei, foi diante de uma das catracas de acesso às plataformas de embarque. Ali mesmo, sem forças mais para reagir, entreguei-me à minha canseira e deitei-me ali mesmo no chão. Com certeza, alguma das pessoas que passassem por ali, teria compaixão de mim e me levaria para sua casa.

Para minha decepção, ninguém se importava comigo; as pessoas passavam apressadas por cima de mim, como se eu fosse um monte de lixo que os funcionários ainda não tivessem recolhido. 

Os minutos foram se passando. Para mim eram minutos intermináveis e, o pensamento de que alguém seria solidário com a minha situação, já estava se desvanecendo, quando vi um segurança aproximar-se de mim; tocou-me com o pé para ver se eu reagiria de alguma forma. Ao perceber que eu já não tinha mais forças para reagir, com o cacetete foi me empurrando para fora da Estação.

Compreendi que minha vida havia chegado ao fim, pois não me restava mais nenhuma alternativa de ser recolhido por alguém. Fui me arrastando, até que num canto qualquer, pude ficar em paz. Pude perceber que as pessoas que passavam, estavam tão mais preocupadas com seus problemas pessoais, que em seus corações não havia espaço para serem solidárias com o meu sofrimento.

Afinal, quem iria se preocupar com um ser irracional e ainda enfermo?”

Quando fui licenciar meu carro, presenciei esta cena e foi difícil conter minha emoção. Lembrei-me daquele “homem que descia de Jerusalém para Jericó, e acabou caindo nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram, e espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto”. (Lc. 10:30)

Depois disso passaram por ali, vários religiosos; todos olharam de longe e nada fizeram. Em seguida, passou um homem de Samaria, e diante daquela cena, logo imaginou o que havia acontecido. Movido por uma íntima compaixão, aproximou-se, e deu-lhe os primeiros socorros; higienizou suas feridas e cobriu-as para que não infeccionassem. Sem mesmo conhecê-lo, tomou aquele homem nos braços e o colocou sobre sua cavalgadura.

Seguiram pelo caminho até que chegaram numa estalagem, onde esse samaritano pode cuidar melhor daquele homem ferido. No dia seguinte ele partiu, mas antes, deixou uma importância em dinheiro, para que o dono da estalagem pudesse dar continuidade ao tratamento; afirmou que quando voltasse, cobriria os gastos que ultrapassassem o valor disponibilizado.

Fazendo um paralelo entre o fato que presenciei, com essa parábola proferida por Jesus, quero refletir, juntamente com você, quantas vezes passamos por situações semelhantes e não encontramos ninguém que possa nos ajudar, principalmente para curar as feridas da nossa alma, das nossas emoções e os conflitos que torturam nosso pensamento.

Assim que puder, leia essa parábola em Lucas cap. 10: de 25 a 37. Você poderá entender mais claramente, porque Jesus se comparou a esse “Bom Samaritano”. Ele está sempre à disposição para cuidar de nós. Muitas vezes não somos curados, porque não estamos procurando a pessoa certa. Somente Jesus pode curar nossas feridas internas, sem dizermos uma palavra sequer, porque, quando fomos feridos, Ele estava contemplando. Ele poderia ter evitado todas as situações constrangedoras que já passamos, mas não o fez, para que nossa personalidade pudesse ser moldada através do Seu amor.

Abra agora seu coração e renda-se a Ele. Diga-lhe que você quer conhecê-lo. Creio que vendo o propósito do seu coração, Ele passará a cuidar de você de uma forma tão especial, que nunca mais você pensará em se afastar dEle. Pelo contrário, seu coração se abrirá cada vez mais para Ele, até desejar uma entrega total, dizendo: “Jesus, até aqui tenho te conhecido como amigo, mas sabendo que tu és Deus, quero que tu sejas meu Senhor e também Salvador da minha alma”.

Após essa entrega total, sua alma será invadida de uma Paz celestial, pois terá a certeza que o Deus do impossível estará cuidando de você.

                                                                                   (Google Imagens)

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Sonia Valerio da Costa
16/11/2009

 

Renascendo em meio aos cacos

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Comecei a recordar as histórias contadas por meu avô, quando ainda estava em meus primeiros anos de vida. Ele sempre me trazia relatos de nossos parentes, tanto próximos, quanto distantes. Lembro-me que suas histórias eram tão empolgantes que meus olhos, de tão fixos, pareciam que iriam saltar das órbitas, principalmente quando falava de nossos antepassados.

Entendi que aquele momento de recordações me ajudaria a enfrentar essa nova fase de minha vida, que eu iria ainda vivenciar. O que aconteceriria em minha vida, estava muito além de minha vontade e até mesmo de meu conhecimento. Tinha consciência que acontecesse o que acontecesse, eu não poderia opinar nem interferir em nada do que pudesse acontecer comigo. Pensava que por ter vivido bastante,  meus dias de glória haviam chegado ao fim.

Não saberia prever o final de tudo aquilo e muito menos aonde eu chegaria. No lugar que vivera até então,   juntamente com outros amigos meus, pudemos conhecer muitas pessoas ilustres e presenciar diversas conversas diplomáticas durante os coffe-breaks, segredos internacionais e muitas decisões que comprometeriam até a vida de muitos inocentes. Porém, todos poderiam ficar totalmente tranquilos quanto aos segredos ali compartilhados, pois sabiam que nossa presença não ofereceria perigo algum e que poderiam confiar totalmente em nós.

Agora, estávamos sendo levados a uma espécie de revisão; ali encontramos muitos de nossos parentes, com os quais  pudemos compartilhar nossas experiências. Uns estavam sendo formados pela primeira vez; outros, como era o nosso caso, estavam ali para que fossem refeitos e, conforme ficasse nossa aparência final, seria decidido em qual lugar e/ou posição passaríamos o resto, ou então mais uma etapa, de nossas vidas.

Chegou a minha vez de ser trabalhado. Não me lembrava mais do que havia acontecido comigo quando fora feito pela primeira vez; mesmo porque, eu ainda não tinha experiência de vida; melhor dizendo, eu nem sabia o que era vida.

Quebraram-me…juntaram todos os meus cacos, que foram passados por cilindros e, em pedaços, colocaram-me de molho em água. Depois, através do processo de drenagem, tiraram toda a sujeira que, com o passar do tempo,  havia sido impregnada no meu corpo; depois disso, já bem amolecido, fui sovado (amassado, enrolado e esticado) por várias vezes. Dores?… já nem sabia mais o que era sentir dor, pois naquela situação eu já estava como que anestesiado; depois eu entenderia que aquele processo que seria meu renascimento, estava apenas começando!

Aquela massa informe que um dia havia sido meu corpo,  foi introduzida na maromba através de uma rosca helicoidal; em seguida, através de um processo a vácuo, essa máquina extraiu de mim todo o ar que eu pudesse apresentar, decorrente do processo de drenagem e sovagem. 

Agora que  meu corpo já apresentava perfeita homogeneidade, automaticamente a máquina cortou algumas sobras e deixou-me num formato de cilindro. Dali me levou para o torno onde ficaria na total dependência do oleiro para formar-me um novo vaso. Quando o torno começou a girar, o oleiro colocou levemente suas mãos habilidosas sobre mim e começou a moldar-me.  Percebi que eu estava recebendo uma nova forma de vaso, muito diferente da anterior. O tempo que fiquei ali, girando sobre o torno foi tão extenso que acabei perdendo os sentidos várias vezes. 

Terminado mais esse processo, o oleiro desenhou em meu corpo, vários detalhes com creme de argila; deixou-me descansar um pouco ao sol e em seguida mergulhou-me em verniz para dar-me cor e brilho. Depois me levou ao forno para que a estrutura do meu corpo pudesse ser fortalecida e assim, aumentar minha durabilidade. Nem é necessário comentar a respeito do sofrimento que enfrentei dentro daquele forno com uma temperatura superior a 1200°. Parecia-me que aquele processo de renascimento havia chegado ao fim; o que mais desejava agora, era olhar-me num espelho e poder entender porque eu havia passado por processos mais doloridos e constrangedores, do que meus amigos. Depois eu entenderia.

Fui embrulhado cuidadosamente e levado para outro local, onde viveria mais uma etapa de minha vida. Quando ali cheguei, pude entender o porquê de tanto sofrimento. O oleiro havia me dado a forma de um vaso de honra, pois fui colocado numa sala ampla e em posição de destaque. Todos que passavam, paravam para ver a beleza esculpida em meu corpo. Para qualquer lado que eu olhasse, podia ver perfeitamente como ficara minha aparência final. O chão era de mármore e nas paredes laterais havia diversos espelhos decorativos que, além de darem maior amplitude ao ambiente, eu podia ver minha imagem refletida de forma multiplicada.

Estava deslumbrado com minha nova forma e posição. Nos dias que se seguiram,  foram chegando outros vasos para compor a decoração daquele ambiente,  até que chegou o grande dia da inauguração. Ainda não sei dizer a finalidade do prédio em que me encontro atualmente;  apenas entendo, que aqui é o salão principal. Agora já não me lembro mais do sofrimento que passei, pois estarei vivendo um período inédito de minha existência. Estou fazendo novas amizades e podendo compartilhar as novas experiências que adquirimos.

Creio que minha história fez com que você recordasse ter vivenciado situações constrangedoras, semelhantes à minha. Mas quero lembrá-lo de que somos formados do mesmo material (argila). A diferença é que nós, vasos, não temos vida em nós mesmos; mas você que está lendo esta minha história, recebeu fôlego de vida do próprio Deus.

Assim como eu me entreguei totalmente nas mãos do oleiro, faça da mesma forma;  se entregue totalmente nas mãos de Deus. Você se lembra do Profeta Jeremias quando recebeu orientação divina, para que fosse na casa do oleiro? (A Bíblia Sagrada, Jr. 18).  Ali Deus fez com que ele compreendesse todos os períodos inexplicáveis de solidão, sofrimento, desprezo, dores, incompreensões e angústia que, tanto ele quanto seu povo estava passando.

Para renascermos das cinzas e reconstruirmos uma nova vida, precisamos permanecer nas mãos do oleiro verdadeiro, que é o Deus Criador, o tempo que for necessário. Apesar de você ter livre-arbítrio e poder fugir dEle no momento que quiser, saiba que não vai valer a pena. Assim como eu suportei  todo aquele sofrimento e fui colocado num lugar de destaque, creia que Deus, como um verdadeiro oleiro, fará da mesma forma em sua vida. Suporte um pouco mais, pois o seu último estado será muito melhor que o primeiro. Quando seus sonhos se tornarem realidade, tenha certeza que todo o sofrimento que você está passando se transformará em alegria.

“Para complementar esta crônica, escolhi três vídeos do youtube (links abaixo) para você entender melhor porque Deus comparou nossa vida, como a de um vaso nas mãos do oleiro. Creia que a bênção de Deus está, e sempre estará sobre aqueles que O buscam!!!” 

 

 

 

 

 

(eu uso googles imagens)

 

 
 Sonia Valerio da Costa
(19/10/2009)

Tirar ou atirar sapatos?

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Passamos por uma experiência bastante inusitada e constrangedora no ano passado; foi um caso isolado que aconteceu em nossa família.

Lembramos que outro par de sapatos, há alguns séculos atrás, não tiveram essa triste sorte como nós. Nossos parentes estavam dando proteção a uma pessoa que tinha sido criada no palácio de Faraó. Mas, circunstâncias adversas, fizeram com que ele fosse morar no deserto, para que pudesse conhecer a Deus e Seus propósitos para com sua vida.

Um dia, quando ele cuidava do rebanho de seu sogro, avistou a certa distância, uma sarça pegando fogo, mas que não se consumia. Curioso com aquele fato, foi se aproximando para verificar que mistério era aquele; então ouviu uma voz muito forte ecoar entre as montanhas: Moisés, Moisés, tira as sandálias de teus pés porque o lugar em que estás é terra santa.

Em atitude de reverência àquela voz tão cheia de autoridade, Moisés tirou as sandálias dos pés e foi chegando mais perto daquele arbusto, que ainda continuava pegando fogo. Entendeu que aquela voz era do próprio Deus, que tanto ele desejava conhecer. Sendo Criador dos céus e da terra, portanto tem toda autoridade, tanto sobre o Universo, quanto sobre os seres viventes, inclusive o homem. Aquelas sandálias ficaram famosas, porque foram retiradas dos pés de Moisés para reverenciar a Suprema autoridade do Universo.

Sempre que em público, se faz necessário tirar os calçados de nossos pés, entendemos que é por uma atitude de reverência diante de alguém que ocupa uma posição social superior. Por ser um costume de algumas sociedades, nenhuma novidade. Mas, como já dissemos no início, a experiência pela qual passamos, é que nós fomos arrancados dos pés de nosso próprio dono, para servirmos de protesto. Fomos literalmente atirados em direção a uma das autoridades que presidia aquela audiência solene.

Imediatamente nos tornamos conhecidos internacionalmente. Na verdade, queríamos que fôssemos reconhecidos pela proteção que proporcionamos aos pés daquele que nos usava e não por aquele motivo constrangedor.

Nossos antepassados foram tirados de uma forma reverenciada durante uma atitude solene, mas nós fomos arrancados brutalmente para servir de protesto. Apesar de sermos tão úteis, conforme o estado de humor e as circunstâncias que nossos donos se encontram,  eles é que acabam definindo nosso destino. Nossos donos precisam pensar melhor no tratamento que nos dão, porque poderemos servir tanto para bênção, quanto para maldição.

A atitude de Moisés, levou-o a conhecer a Deus e foi por Ele capacitado, e enviado a libertar o povo de Israel que estava na escravidão. Já o nosso dono, nos utilizou para manifestar seu protesto e acabou sendo condenado pela sociedade.

Você que está lendo esta nossa triste experiência, pense bem no que você tem feito com os seus sapatos e com tudo o mais que lhe pertence! Nós, que sempre acompanhamos nossos donos, muitas vezes presenciamos determinadas atitudes e ficamos constrangidos, principalmente quando se utilizam de objetos que poderiam servir de bênção para os seus semelhantes. Infelizmente o que temos visto diante de circunstâncias adversas, são atitudes de violência, que ao invés de trazer paz para o ambiente, só proporciona discussões e contendas.

Pensemos nisso com mais carinho: nossas atitudes é que irão definir se nosso futuro será abençoado ou amaldiçoado diante da sociedade e, com certeza, teremos um futuro de felicidade.

Sonia Valerio da Costa
21/07/2009

Eu já fui semente…

wheat-4[1]Todas as vezes que Jesus proferia alguma palavra, eu me sentia como que sendo lançada de Sua boca; mas o interessante é que parecia que eu sempre continuava ali como antes. Quando o Mestre proferiu a Parábola do Semeador, então pude compreender que eu, enquanto semente, era a “própria Palavra de Deus”. Lembrei-me que o Apóstolo João já dissera “No princípio era o verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a Sua glória.” Jo. 1:1 e 14. Eu tinha vida em mim mesma, mas não tinha a mínima consciência do que isso significava.

De um modo geral, a semente que é lançada ao solo, terá basicamente, quatro destinos. Geralmente a maior parte cai em boa terra e produz muito fruto, mas muitas não tem a mesma sorte; sempre algumas acabam caindo na beira do caminho onde são pisadas e sendo improdutivas, servem de alimento para as aves. Algumas caem entre pedras e chegam até germinar, mas por falta de umidade acabam secando; outras ainda, caem entre espinhos e até germinam também, mas são sufocadas por eles. Assim que a semente recebe água e calor, absorve da boa terra os nutrientes necessários para germinar, crescer e reproduzir.

Um dia, junto com tantas outras sementes semelhantes a mim, fomos lançadas da boca do Mestre e então pude compreender o porque, dEle nos comparar com as sementes que são lançadas ao solo durante uma semeadura. Assim entramos em vários corações que já estavam umidecidos com a água purificadora do Espírito Santo. Então pude perceber que eu fazia parte do grupo que havia caído em boa terra; com toda liberdade fui conseguindo aprofundar-me até chegar entre a divisão da alma e do espírito daquelas pessoas que ouviam Jesus.

Nunca me esquecerei daquele lugar tão acolhedor que me envolveu com tanta receptividade e tão grande amor, que comecei a sentir-me viva. Algo dentro de mim começou a expandir-se até que aquela casca que me envolvia se rompeu e um pequeno broto surgiu, procurando os lugares mais seguros para enraizar-se e poder crescer com segurança. Assim consegui germinar, crescer e produzir muitos frutos, isto porque encontrei os itens necessários para minha sobrevivência e desenvolvimento.

Grande parte da multidão que seguia a Jesus, ouvia-o com tal atenção que a palavra proferida por Ele, limpava e umidecia a terra que ainda estava seca. Nesse ambiente cresci saudavelmente de forma tão entretecida dentro daquelas vidas que, em princípio, deram frutos de arrependimento e tiveram suas vidas transformadas salvas e libertas de toda opressão contrária à vontade divina.

Depois é que foram surgindo outros frutos: o amor, a alegria, a paz, a longanimidade, a benignidade, a bondade, a fé, a mansidão e a temperança. Fui percebendo que quanto mais as pessoas absorviam desses frutos que estavam sendo gerados dentro delas, mais elas ficavam tranquilas, em paz e sentindo maior segurança em suas atitudes.

Interessante que com o passar do tempo, essas mesmas pessoas que receberam a Palavra semeada por Jesus, passaram também a ser boas sementes como filhos do Reino; elas também foram enviadas pelas aldeias e cidades circunvizinhas, para semear em outras vidss as sementes produzidas pelos próprios frutos germinados dentro delas.

Se verdadeiramente somos filhos de Deus, somos sementes que precisam ser semeadas. Lembro-me agora quando Jesus disse que se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer dá muito fruto.

Alegrei-me em lembrar do meu passado como semente, pois agora estou num estágio de produzir frutos para alimentar outras vidas. Faço agora uma retrospectiva dessa minha experiência de semente, semeada em terra fértil dos corações humanos, que estavam sedentos de ouvir a Palavra de Deus, e entendo que valeu todo o sacrifício de “morrer”, germinar e produzir frutos, pois na vida tudo passa por semeadura e colheita.

O que estamos colhendo agora, é o que semeamos no passado. Se hoje estamos sofrendo pelo que semeamos, ainda há tempo para semearmos outro tipo de semente, para que ainda nesta vida, venhamos a colher frutos mais agradáveis. Receba hoje a semente que é a Palavra de Deus para que também passe a ser semeada como eu fui um dia quando saí da boca do Mestre.

Sonia Valerio da Costa
12/06/2009

…E A ÁGUA LEVOU!

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Olhei ao meu redor e restava apenas o silêncio.  Um silêncio que incomodava mais do que as turbinas de um avião, quando está para decolar.

Meu olhar estava perdido na linha do horizonte buscando em vão por uma réstia de esperança de que aquele cenário não passava de um sonho; conscientemente, porém, compreendia que tudo era real.

Havia construído tantos sonhos e quando estava prestes a alcançá-los, tudo se desmoronara em questão de poucos minutos.

Agora o mar já estava em seu lugar habitual; suas ondas vinham empoladas e junto à praia perdiam totalmente a força assumindo uma constante serenidade.

Teria sido tudo aquilo um pesadelo?  Perguntas sem respostas povoavam minha mente em meio àquele quadro desolador.

Não havia nada mais que se pudesse fazer.  Então, lentamente, as explicações que justificavam tamanha tragédia, começaram a chegar. Começava a entender que como uma espécie de purificação espiritual, física e biológica, as águas não apenas haviam levado tudo; simplesmente haviam limpado uma região que precisava ser reconstruída, não somente reformada.

Lamentavelmente era necessário admitir que nem tudo que as águas haviam levado era passível de reconstrução; mesmo porque, vidas não poderiam ser devolvidas.

Mas então, o quê pôde ser recuperado para que pudesse ser reconstruído? 

Enquanto uns perderam suas casas, outros ficaram livres de alguma prisão social ou moral. Uns perderam seus pais e outros, seus filhos. Lares foram reconstruídos a partir da formação de novas famílias.

Uns perderam todo dinheiro, enquanto outros não tinham bens a perder; mas apesar da tragédia, não perderam a esperança. 

Hoje, passados dois anos, ao tomar conhecimento da ocorrência do mesmo tipo de tragédia, que tem acontecido em outras partes do mundo, me recordo dessas reflexões e começo a entender que minha vida precisava de uma mudança, só não sabia como isso poderia acontecer. Sobrevivi apesar de ter chegado a pensar que não teria forças para isso.

Aprendi lições existenciais que me levaram a banir todas minhas dúvidas quanto a  existência de Deus.

Antes eu não sabia o que era o verdadeiro amor, mas Deus me ensinou a exercê-lo. Antes eu ostentava um certo orgulho e tinha dificuldades para dividir e compartilhar; hoje entendo que a bênção da prosperidade só existe quando se entra no círculo ativo de dar e receber. Antes eu desconfiava das pessoas que tinham pensamentos diferentes dos meus; hoje vejo que o amor de Deus está acima de credos, religiões e comportamentos sociais. 

A água, como símbolo de purificação, leva tanto as coisas que estão nos prejudicando, quanto as coisas boas que ainda não nos encontramos em condições de recebê-las, ou tê-las.

Comecei a entender que quando a natureza se volta contra nós, é porque precisamos de um momento para refletirmos se, devido nossas atitudes e comportamentos, não nos encontramos tão longe de Deus, ou Ele tão longe de nós, que nem sequer poderá ouvir nosso grito de socorro?!!..

Você que está tão distante geograficamente, mas tão perto emocionalmente, o considero meu irmão. Hoje foi para você, que tudo desmoronou, mas Deus nosso Pai, que faz nascer o sol para todos está te dando a oportunidade de renascer e de crescer como ser humano. 

Em algum momento da nossa vida nos chega a oportunidade de recomeçar. Se chegou a sua hora, não desfaleça, levante-se, busque em Deus coragem para prosseguir, porque Ele nunca desamparou os que se dispõem a mudar para melhor.

Sonia Valerio da Costa
21/04/2009