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O Perigo de ser uma das 99!


(Google Imagens)

Já era tradição; todos os dias,  quando voltavam das pastagens, o pastor  abria a porta do curral e conferia a entrada do seu rebanho de ovelhas. Se a contagem estivesse correta, então o Pastor iria cuidar de uma por uma; verificava se havia algum carrapicho, ferimento ou machucado. Fazia os curativos necessários e já preparava as ovelhas para o descanso da noite. No dia seguinte, acordavam com o raiar do sol e novamente saiam para as pastagens.

Às vezes acontecia do pastor colocar as ovelhas dentro do curral e, com um semblante de preocupação ficava olhando em direção à linha do horizonte; então fechava a porta do curral e voltava pelo mesmo caminho de onde haviam chegado. Algumas vezes retornava logo em seguida; outras vezes, seu retorno era demorado. Um coisa era certa, sempre voltava trazendo uma ovelha machucada em seus ombros.

As ovelhas mais adultas e que já haviam presenciado essa cena tantas vezes, começaram a se preocupar com a segurança e integridade do pastor. Mas o que elas poderiam fazer, se eram totalmente indefesas?! Além disso, o pastor sempre tinha o cuidado de trancar a porta do curral, para que elas pudessem ficar em segurança.

Numa dessas vezes que o pastor precisou retornar pelo caminho, o tempo foi passando e a noite chegou, trazendo consigo todos seus mistérios assustadores; barulhos desencontrados dos pássaros noturnos, dos animais se revolvendo sobre folhas secas, e ao longe se ouvia lobos uivando.

A noite parecia interminável, até que o dia já começava a clarear, quando perceberam que o pastor vinha retornando com mais uma ovelha sobre os ombros. Essa havia sido a primeira vez que passaram a noite sozinhas. Somente algumas conseguiram dormir um pouco; as demais começaram a conjecturar a respeito do que poderia ter acontecido com o pastor, pois nunca havia demorado tanto.

Divagando nos seus pensamentos, chegaram a pensar que o pastor não voltasse mais. Quem sabe se não teria sido atacado por algum lobo, ou mesmo ter escorregado em algum despenhadeiro e sumido para sempre.

(Google Imagens)

(Eu estava alí acompanhando em silêncio aquela cena, apenas analisando qual seria a reação daquelas ovelhas. Pude ver alí três grupos distintos. Cada ovelha procurou se aproximar do grupo que mais se aproximava de sua própria opinião.)

Um primeiro grupo formado das ovelhas mais avançadas em idade,  comentavam que nunca haviam dado trabalho para o pastor. Afirmavam que sempre tiveram bom comportamento e sempre obedeciam as ordens recebidas; por isso esbanjavam saúde e  nunca precisaram de um curativo sequer. Falavam solenemente, como se fossem donas da verdade e que, hoje em dia, as ovelhas mais jovens estavam muito abusadas e insubmissas às ordens dadas pelo pastor.

Um segundo grupo, formado por ovelhas mais jovens, apesar de terem sentido um forte medo durante a ausência do pastor, comentavam entre si, a respeito das aventuras que já haviam vivenciado. Várias delas, em outras ocasiões, também se distanciaram do grupo e acabaram se perdendo. Falavam dos medos, das dores, dos machucados que sofreram, e da emoção que sentiram quando viram o pastor se aproximando, com um semblante de amor misturado com alegria, chegando de mansinho para buscá-las.

Quanto ao terceiro grupo nem foi necessário chegar perto, pois cada uma queria falar mais alto que a outra, para que sua opinião pudesse prevalecer e ser aceita como verdade pelo grupo. Umas criticavam as ovelhas que tinham sido compradas de outro rebanho; com elas foram introzidos costumes diferentes, o que estava transtornando a cabeça das ovelhas mais jovens. Outras acusavam o próprio pastor de não tomar atitudes mais severas para com as ovelhas desobedientes.

Nesse momento, uma ovelha, aproveitando um pequeno espaço de silêncio, foi mais longe nas suas considerações, passando a criar sentimentos de indignação e revolta para com a ovelha que era trazida nos ombros do pastor; ela dizia assim: “eles já estão chegando… e podem se preparar, pois ao invés de colocá-la de castigo para aprender a lição, com certeza ele vai é promover uma festa para ela”.

Mal acabou de falar, o pastor entrou com a ovelha nos ombros; deitou-a sobre a relva e acabou de curar suas feridas. Daquela vez o pastor tivera que superar seus próprios limites, para conseguir resgatar aquela ovelha que estava semi-morta diante dele. Levantou os olhos, passou seu olhar pelas ovelhas e sentiu-as inquietas. Conhecedor do comportamento de cada uma delas, logo entendeu o que se passava em suas pequenas cabecinhas.

Daquela vez, entendeu que deveria agir de forma diferente. Chamou a mãe daquela ovelhinha e perguntou-lhe se ela havia dado falta de sua filhotinha; ela abaixou a cabeça envergonhada, pois nem havia dado falta de sua ovelhinha; até então pensava que ela estivesse com as outras amiguinhas, com as quais costumava brincar.

Então, diante daquela cena, ajoelhou-se diante do pastor e pediu-lhe perdão, dizendo que durante sua ausência, ela era a que mais havia instigado as demais ovelhas do rebanho, contra as atitudes que o pastor havia tomado até então;  que o pastor, ao invés de promover festa quando uma ovelha fosse resgatada, o certo seria dar um bom castigo. Somente assim elas aprenderiam a lição e não iriam mais desobedecer as ordens do pastor.

Aquela cena emocionou todo o rebanho, e fez com que uma a uma fosse  chegando perto do pastor para que fossem perdoadas coletivamente. Todas se sentiram culpadas por terem participado de julgamentos precipitados quanto às atitudes, tanto do pastor, quanto das ovelhas desobedientes. Quando a paz e a serenidade voltou a reinar naquele lugar, as próprias ovelhas tomaram a iniciativa de promover uma grande festa. Agora, não seria comemorado apenas o resgate de uma ovelha perdida, mas também a união que havia sido proporcionada naquele rebanho.

Daquele dia em diante todas cuidavam de todas e todas vigiavam todas; como se cada uma assumisse juntamente com o pastor, a responsabilidade de cuidar do rebanho. Foi o melhor tempo vivido por aquele rebanho pois conseguiram evitar que outras ovelhas se perdessem. E os lobos… ah!… os lobos tiveram que procurar outros rebanhos displicentes, pois se ficassem por alí, perceberam que passariam fome.

“Quando Jesus contou aos discípulos a Parábola da Ovelha Perdida, estava se referindo à vida espiritual e de nossa comunhão com Deus. Jesus se apresentou como o verdadeiro Pastor, pois Ele cuida de cada um de seus filhos, indistintamente e de forma particular, conforme a necessidade de cada um. Jesus nunca teve atitudes tendenciosas, vinculadas ao nosso comportamento. Ele veio para exercer misericórdia para conosco, e através desse tão grande amor, Ele quer que nós também nos amemos uns aos outros como Ele nos amou. Aceite a Jesus como seu Pai e também como seu Pastor; assim, como filho e também como ovelha dEle, você será participante desse amor imensurável.”

 

 

 

 

(Google Imagens)
Sonia Valerio da Costa
24/02/2010

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  1. 14/03/2010 às 8:01

    Pensamos que somos auto-suficientes… a espiritualidade torna-nos pessoas melhores, a aproximação com o fazer cristão, nos ensina a aceitar a amr a todos sem distinção, isso é fantástico nos dias de hoje… a parábola nos alerta que quando assumimos um projeto não devemos esquecê-lo, mudar de rota! E se o fizermos um dia… teremos o próprio cristo nos agregando novamente!

    • Sonia Costa
      14/03/2010 às 12:02

      A Paz, Francisco!
      Que palavras lindas e ungidas que vc escreveu! Agradeço muito seu apoio, sua visita ao meu Blog e também por esse comentário, que veio enriquecer esta crônica e será mais um texto para abençoar a vida de todos os que lerem estas palavras.
      Abraços fraternais.
      Sonia

  2. 10/03/2010 às 17:38

    Sonia, parabéns pelo texto!

    Que Deus continue iluminando seu coração para nos trazer essas mensagens dEle!

    Paz!

    • Sonia Costa
      10/03/2010 às 18:58

      A Paz, Fernando,
      Agradeço sua visita ao meu Blog, e também pelo apoio e palavras de incentivo.
      Que Deus abençoe grandemente seu ministério de evangelização através do seu Blog.
      As mensagens que você tem postado em seu Blog, também tem abençoado muitas vidas; num dos meus posts fiz um link sugerindo uma de suas mensagens.
      Abraços.
      Sonia

  3. 25/02/2010 às 17:25

    Olá minha irmã Sonia na paz? Espero que sim.

    Li seu post anterior a este, e creio que podemos tirar muitas lições desta postagem e do texto bílbico também. Vejo que ainda hoje existem esses três principais grupos de ovelhas e que dois deles continuam dando muito trabalho aos pastores desses rebanhos. Creio que o terceiro grupo ajudaria e muito ao seu pastor como também as demais ovelhas. Lembrando que todos nós temos o dever de ser um cuidador do nosso irmão e penso ser a melhor maneira de cooperar no corpo de Cristo, não sermos pesados mas ajudadores. Que muitas dessas ovelhas continuem se levantando em nossos rebanhos.

    Um grande abraço em Cristo,

    Jacson.

    • Sonia Costa
      25/02/2010 às 20:07

      Graça e Paz meu irmão!
      Sabemos que essa Parábola foi apresentada para que se pudesse compreender melhor a forma de agir do nosso Sumo Pastor. Mas decidi escrever em estilo de crônica para que pudéssemos entender o que acontece dentro de qualquer estrutura organizacional. Sempre vamos encontrar os intransigentes tradicionalistas, que não aceitam nenhuma mudança. Encontramos os progressistas onde promovem mudanças sem planejamento, ou objetivo, levando muitas instituições à falência. O outro grupo é o que sempre procura se eximir de qualquer responsabilidade, quando sentem que alguma coisa vai mal; esse terceiro grupo ainda é o melhor para se trabalhar pois são os que apresentam maior maleabilidade para ponderar e se adaptar a mudanças.
      O líder precisa identificar o comportamento de cada subordinado seu, para colocá-lo na posição adequada onde ele será mais produtivo.
      Agradeço seus constantes e valiosos comentários, que sempre tem servido de edificação para nossos leitores.
      Abraços.
      Sonia.

  4. LISONN
    25/02/2010 às 3:27

    Saudações!
    Que Post Fascinante!
    Amiga SONIA COSTA, uma mensagem lindíssima e profunda que você construiu. Parabenizo-a pelo exaustivo trabalho e faço votos que continue a nos presentear com belos textos reflexivos.
    A outra variante da sua mensagem nos chama atenção para os perigos dos sentenciamentos. Eu penso.
    Parabéns pelo lindo Post!
    Contagiou. Mexeu.Valeu.
    Abraços,
    LSION.

    • Sonia Costa
      25/02/2010 às 3:37

      Olá Lisonn,
      Me encanta receber seus comentários tão bem postulados.
      Você tem sido um verdadeiro mestre nas palavras para nos incentivar a continuar neste trabalho de criação de textos de forma a transmitir um pensamento, uma reflexão em palavras compreensivas.
      Realmente preferi escrever a respeito de um mesmo texto bíblico, em duas partes.
      Quando comecei a escrever sobre as 99, percebi que utilizando o estilo “crônica”, teria um resultado mais leve.
      Espero ter alcançado o objetivo a que me propus.
      Agradeço seu apoio e comentário.
      Abraços.
      Sonia

  5. 25/02/2010 às 3:17

    O senhor é meu pastor e eu ovelha do seu pasto, todos os meus dias estão em suas mãos o senhor e quem cuidar do meu coração eu conheço a sua voz ele está a me chamar. Derramou sua própria vida por uma ovelha suja e ferida que nem ao menos ainda o conhecia, esse é o bom pstor.

    Um grande abraço.

    • Sonia Costa
      25/02/2010 às 3:21

      Olá Alexandre,
      Maravilhoso o seu comentário.
      Agradeço muito sua participação e apoio.
      Abraços.
      Sonia

  6. 25/02/2010 às 1:48

    Que passagem fascinante comadre, obrigado.
    Sabe Sônia…hoje era tudo o que eu precisava ouvir.
    Abração do compadre.

    • Sonia Costa
      25/02/2010 às 1:54

      Olá Fernando,
      Agradeço sua visita ao meu Blog e também pelo seu comentário, que expressa apoio ao meu texto.
      Agora eu estou justamente tentando inserir o link do seu Blog, que acabei de visitar…e parabéns… está fantástico!
      Que vc continue tendo sucesso nesse projeto.
      Abraços.
      Sonia

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