Início > Crônicas > Renascendo em meio aos cacos

Renascendo em meio aos cacos


 (googles imagens)

Comecei a recordar as histórias contadas por meu avô, quando ainda estava em meus primeiros anos de vida. Ele sempre me trazia relatos de nossos parentes, tanto próximos, quanto distantes. Lembro-me que suas histórias eram tão empolgantes que meus olhos, de tão fixos, pareciam que iriam saltar das órbitas, principalmente quando falava de nossos antepassados.

Entendi que aquele momento de recordações me ajudaria a enfrentar essa nova fase de minha vida, que eu iria ainda vivenciar. O que aconteceriria em minha vida, estava muito além de minha vontade e até mesmo de meu conhecimento. Tinha consciência que acontecesse o que acontecesse, eu não poderia opinar nem interferir em nada do que pudesse acontecer comigo. Pensava que por ter vivido bastante,  meus dias de glória haviam chegado ao fim.

Não saberia prever o final de tudo aquilo e muito menos aonde eu chegaria. No lugar que vivera até então,   juntamente com outros amigos meus, pudemos conhecer muitas pessoas ilustres e presenciar diversas conversas diplomáticas durante os coffe-breaks, segredos internacionais e muitas decisões que comprometeriam até a vida de muitos inocentes. Porém, todos poderiam ficar totalmente tranquilos quanto aos segredos ali compartilhados, pois sabiam que nossa presença não ofereceria perigo algum e que poderiam confiar totalmente em nós.

Agora, estávamos sendo levados a uma espécie de revisão; ali encontramos muitos de nossos parentes, com os quais  pudemos compartilhar nossas experiências. Uns estavam sendo formados pela primeira vez; outros, como era o nosso caso, estavam ali para que fossem refeitos e, conforme ficasse nossa aparência final, seria decidido em qual lugar e/ou posição passaríamos o resto, ou então mais uma etapa, de nossas vidas.

Chegou a minha vez de ser trabalhado. Não me lembrava mais do que havia acontecido comigo quando fora feito pela primeira vez; mesmo porque, eu ainda não tinha experiência de vida; melhor dizendo, eu nem sabia o que era vida.

Quebraram-me…juntaram todos os meus cacos, que foram passados por cilindros e, em pedaços, colocaram-me de molho em água. Depois, através do processo de drenagem, tiraram toda a sujeira que, com o passar do tempo,  havia sido impregnada no meu corpo; depois disso, já bem amolecido, fui sovado (amassado, enrolado e esticado) por várias vezes. Dores?… já nem sabia mais o que era sentir dor, pois naquela situação eu já estava como que anestesiado; depois eu entenderia que aquele processo que seria meu renascimento, estava apenas começando!

Aquela massa informe que um dia havia sido meu corpo,  foi introduzida na maromba através de uma rosca helicoidal; em seguida, através de um processo a vácuo, essa máquina extraiu de mim todo o ar que eu pudesse apresentar, decorrente do processo de drenagem e sovagem. 

Agora que  meu corpo já apresentava perfeita homogeneidade, automaticamente a máquina cortou algumas sobras e deixou-me num formato de cilindro. Dali me levou para o torno onde ficaria na total dependência do oleiro para formar-me um novo vaso. Quando o torno começou a girar, o oleiro colocou levemente suas mãos habilidosas sobre mim e começou a moldar-me.  Percebi que eu estava recebendo uma nova forma de vaso, muito diferente da anterior. O tempo que fiquei ali, girando sobre o torno foi tão extenso que acabei perdendo os sentidos várias vezes. 

Terminado mais esse processo, o oleiro desenhou em meu corpo, vários detalhes com creme de argila; deixou-me descansar um pouco ao sol e em seguida mergulhou-me em verniz para dar-me cor e brilho. Depois me levou ao forno para que a estrutura do meu corpo pudesse ser fortalecida e assim, aumentar minha durabilidade. Nem é necessário comentar a respeito do sofrimento que enfrentei dentro daquele forno com uma temperatura superior a 1200°. Parecia-me que aquele processo de renascimento havia chegado ao fim; o que mais desejava agora, era olhar-me num espelho e poder entender porque eu havia passado por processos mais doloridos e constrangedores, do que meus amigos. Depois eu entenderia.

Fui embrulhado cuidadosamente e levado para outro local, onde viveria mais uma etapa de minha vida. Quando ali cheguei, pude entender o porquê de tanto sofrimento. O oleiro havia me dado a forma de um vaso de honra, pois fui colocado numa sala ampla e em posição de destaque. Todos que passavam, paravam para ver a beleza esculpida em meu corpo. Para qualquer lado que eu olhasse, podia ver perfeitamente como ficara minha aparência final. O chão era de mármore e nas paredes laterais havia diversos espelhos decorativos que, além de darem maior amplitude ao ambiente, eu podia ver minha imagem refletida de forma multiplicada.

Estava deslumbrado com minha nova forma e posição. Nos dias que se seguiram,  foram chegando outros vasos para compor a decoração daquele ambiente,  até que chegou o grande dia da inauguração. Ainda não sei dizer a finalidade do prédio em que me encontro atualmente;  apenas entendo, que aqui é o salão principal. Agora já não me lembro mais do sofrimento que passei, pois estarei vivendo um período inédito de minha existência. Estou fazendo novas amizades e podendo compartilhar as novas experiências que adquirimos.

Creio que minha história fez com que você recordasse ter vivenciado situações constrangedoras, semelhantes à minha. Mas quero lembrá-lo de que somos formados do mesmo material (argila). A diferença é que nós, vasos, não temos vida em nós mesmos; mas você que está lendo esta minha história, recebeu fôlego de vida do próprio Deus.

Assim como eu me entreguei totalmente nas mãos do oleiro, faça da mesma forma;  se entregue totalmente nas mãos de Deus. Você se lembra do Profeta Jeremias quando recebeu orientação divina, para que fosse na casa do oleiro? (A Bíblia Sagrada, Jr. 18).  Ali Deus fez com que ele compreendesse todos os períodos inexplicáveis de solidão, sofrimento, desprezo, dores, incompreensões e angústia que, tanto ele quanto seu povo estava passando.

Para renascermos das cinzas e reconstruirmos uma nova vida, precisamos permanecer nas mãos do oleiro verdadeiro, que é o Deus Criador, o tempo que for necessário. Apesar de você ter livre-arbítrio e poder fugir dEle no momento que quiser, saiba que não vai valer a pena. Assim como eu suportei  todo aquele sofrimento e fui colocado num lugar de destaque, creia que Deus, como um verdadeiro oleiro, fará da mesma forma em sua vida. Suporte um pouco mais, pois o seu último estado será muito melhor que o primeiro. Quando seus sonhos se tornarem realidade, tenha certeza que todo o sofrimento que você está passando se transformará em alegria.

“Para complementar esta crônica, escolhi três vídeos do youtube (links abaixo) para você entender melhor porque Deus comparou nossa vida, como a de um vaso nas mãos do oleiro. Creia que a bênção de Deus está, e sempre estará sobre aqueles que O buscam!!!” 

 

 

 

 

 

(eu uso googles imagens)

 

 
 Sonia Valerio da Costa
(19/10/2009)

Anúncios
  1. Suely
    25/10/2009 às 16:45

    Maninha,
    Após ler a crônica e assistir o vídeo, dá para perceber o quanto é difícil deixar-se moldar à vontade do oleiro… Mas também é só desta maneira que podemos atingir o alvo, que são as bênçãos de Deus na nossa vida. Que Ele continue te inspirando nessa missão que você já tem há muito tempo, mas só a pouco é que se deu conta disso. Por isso, seja sempre um vaso nas mãos dEle para que enfeite sempre os divãs na nossa vida. Deus te abençoe. E parabéns!

    • Sonia Costa
      25/10/2009 às 16:54

      Querida maninha, fiquei muito feliz em receber esse seu comentário, pois vc tem sido como um vaso de honra de exemplo e de edificação para minha vida. Sei que você não foi apenas quebrada, mas sim triturada, e é por isso que as pessoas te amam, pois Deus não te desamparou em momento algum. Ele tem sido o nosso Pai e tem cuidado de nós!
      Agradeço por sempre poder contar com você.
      Um abraço com muito carinho!

  2. Klebia
    25/10/2009 às 2:55

    A paz amada de Jesus muito obrigada por este escrito tão maravilhoso Deus continue abençoando muito bom final de semana para vc e sua Familia.

    • Sonia Costa
      25/10/2009 às 3:03

      Irmã Klébia, agradeço sua visita em meu Blog e também agradeço pelas palavras de bênção. Abençoe outras vidas, divulgando este Blog. Ficarei imensamente grata.
      Abraços! Fique na Paz do Senhor Jesus!

  3. carlito pereira
    24/10/2009 às 22:44

    Irmã Sonia.é com muinto prazer ter recebido esta belissima crônica tão especial e linda. eeta comove até o papa e o presidente lula, pode ter certeza; é muinto linda e inpirada; aprendi muito com ela e vou quardar sempre esta crônica em minha lembrança. Deus te abençoe irmã e te de cada vez mais sabedoria para poder nos ensinar. Deixo aqui meu hotmail para quem quiser me mandar relatos como este; ficarei muinto feliz. carlitopereira32@hotmail.com e carlito_sindicato@hotmail.com estarei sempre a disposição de todos e responderei a todos com muinto carinho. Que Deus abençoe a todos e que quem leu esta crônica da irmã Sonia; quem não leu, deveria ler. pois ela é muinto especial e maravilhosa. Espero que todos que lerem que tirem uma lição de vida e de reflexão, pois Deus esta próximo a vim buscar os seus e sua alma com quem está? Vamos fazer como diz a nossa amada. vamos deixar que o oleiro que é Deus quebrar o nosso vaso e fazer um vaso novo; pois só assim teremos certeza que nós nos encontraremos na glória. Amem.

    • Sonia Costa
      24/10/2009 às 23:40

      Irmão Carlito, agradeço seu comentário e também por suas palavras de estímulo e encorajamento. Toda honra e glória sejam dadas ao nosso Deus. Divulgue este Blog entre seus amigos, pois como abençoou sua vida, com certeza abençoará outras também. Fique na Paz!

  4. Zenaide Aélida
    20/10/2009 às 21:47

    Querida irmã Sonia, fiquei impressionada com esta crônica. No momento passo por um processo assim como este e tenho aprendido muito. Todo dia aprendo um pouco. Também sempre pergunto para Deus o que mais Ele quer me ensinar. É incrível como sempre tem algo novo. Cada dia descubro que nada sei. Tenho ouvido o meu Senhor falar comigo constantemente de várias maneiras, principalmente nestes ultimos três anos quando a prova tem aumentado dia a dia. Confio firmemente nas Suas promessas, mas, aos olhos humanos se torna cada vez mais difícil e parece até impossível. Mesmo assim continuo com a certeza de que se Ele prometeu, aconteça o que acontecer cumprirá.
    Deus é fiel, imutável e infalível.
    Que as mãos do Todo Poderoso esteja sempre sobre sua vida.

    • Sonia Costa
      20/10/2009 às 22:31

      Irmã Zenaide, agradeço pelas palavras expressadas em seu comentário. Toda honra e glória sejam dadas ao nosso Deus, pois a inspiração para escrever esta crônica veio dEle. A diferença entre a queima dos vasos é que 750° de temperatura é suficiente para dar consistência e durabilidade aos de barro comuns. Já os de cerâmica, principalmente quando envernizados, precisam de uma temperatura de 1200º. Essa é a diferença que existe entre um vaso comum e um vaso de honra. O oleiro divino sabe qual temperatura podemos suportar.
      Aguarde a finalização do trabalhar de Deus em sua vida, pois será glorioso!
      Deus é fiel!!!

  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: