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E O SEGUNDO…

 

ouro e prata

“E o segundo”. (Lucas 20:30)

Esse versículo ‘E o segundo’, sempre me trouxe inquietação, no sentido do ‘por quê’ tais palavras teriam sido destacadas para formarem mais um versículo bíblico.

Esse versículo não transmite uma significação completa em si mesmo; porém, dentro do contexto bíblico entendemos que, se a referência à iniciativa do segundo irmão em assumir a responsabilidade de suscitar descendência àquela família, foi destacada num versículo isolado dos demais, com certeza deve haver algum propósito específico a ser analisado quanto à posição de ser ‘segundo’. Que tão grande importância teria esse segundo irmão frente aos demais, que da mesma forma se propuseram a assumir a mesma função de suscitar descendência para o irmão primogênito?!

Já tive a oportunidade de ocupar cargos de Chefia e de Diretoria em minha vida profissional e agora exercendo apenas a função de bibliotecária, me dei conta de quão importante é a atuação de um assessor, ou ‘de um segundo’. Assim, instintivamente pude encontrar uma significação que justificasse tal destaque para o versículo em questão.

Sabemos que o poder fascina e atrai com tanta intensidade e em todos os aspectos da vida do ser humano, que o homem procura galgar patamares cada vez mais elevados do conhecimento, a fim de estar devidamente capacitado a ocupar algum cargo de liderança.

Interessante que o Pr. e escritor Erivaldo de Jesus, em seu livro “Super Interessante: 500 curiosidades bíblicas”, p. 40 afirma que o numeral ordinal mais citado na Bíblia é o ‘segundo’, citado 1033 vezes; em segundo lugar vem o numeral ordinal ‘primeiro’, com 237 citações. A diferença do nº de citações é tão significativa, que até chegamos a pensar que realmente existe um propósito mais sublime, espiritualmente falando, a respeito da posição de ‘segundo’.

Para que esse versículo, objeto deste artigo, seja melhor compreendido, podemos dar-lhe diferentes significados, modificando apenas alguns sinais de pontuação; isto permitirá que compreendamos a diversidade de sentidos que uma frase pode assumir num mesmo contexto, sendo que todos eles são passíveis de aceitação.

Vejamos então: se acrescentássemos apenas um acento agudo no verbo “ser”, teríamos a seguinte frase “É o segundo”; se colocássemos um ponto de interrogação ao final dessa frase, teríamos “E o segundo?”; se colocássemos um ponto de exclamação, teríamos “E o segundo!”; finalmente, se colocássemos tanto o acento, quanto a pontuação, teríamos “É o segundo?”, ou então “É o segundo!”.A língua portuguesa é riquíssima em morfologia, sintaxe e grafismo, que são os subsídios que dispomos para transmitirmos através da escrita, a intenção dos nossos pensamentos da forma mais clara e precisa possível.

Vejamos, no primeiro caso, a frase afirmativa “É o segundo”, transmite um poderio de segundo escalão, onde o indivíduo que ocupa tal cargo deve ter consciência das limitações de poder e de mando que lhe são pertinentes. Transmite-nos também, a ideia de que seu líder tem a seu lado, alguém de sua confiança, com quem pode contar.

No segundo caso, “E o segundo?”, é como se apenas o ponto de interrogação já nos trouxesse implicitamente um questionamento mais amplo, isto é, “onde está o segundo?”.  O ponto de interrogação nos dá a conotação de que o ocupante de tal cargo estaria omisso quanto às suas responsabilidades e uma pergunta como essa, vem acompanhada de uma mensagem implícita de que não se consegue detectar a atuação desse “tal segundo”.  Neste caso poderíamos entender que o líder estaria só, sem ninguém que pudesse ajudá-lo em suas decisões.

É lamentável quando presenciamos assessores que antes eram de extrema confiança de seus líderes e, de repente, passam a agir displicentemente, deixando seus líderes à deriva.  Caso o líder venha a fracassar, todos serão unânimes em questionar “e o segundo?”; seria uma pergunta cujo conteúdo estaria transmitindo implicitamente a omissão por parte do “segundo”, que estaria apenas como espectador, vendo seu líder caminhando para a derrota, sem tomar qualquer atitude que pudesse impedir o caos.

Se por um lado o líder estiver sendo abençoado e próspero, nem lembramos de perguntar sobre a existência de um possível segundo que o esteja auxiliando; entendemos, porém, que a atuação desse “segundo” está sendo tão excelente e proporcionando um sólido patamar para seu líder, a ponto de permitir que sua imagem desapareça em meio à glória e sucesso que o primeiro está alcançando.

“Na Medicina, o médico, chefe de uma equipe, nada é sem seus auxiliares. Que dirá sem seu braço direito, que poderíamos chamá-lo de ‘segundo’. É ele quem o substitui em emergências e faz também a triagem dos pacientes. Na maioria dos casos, no entanto, o ajudante só é reconhecido pelo mestre. Independentemente de talento de um ou de outro, o paciente prefere sempre ser atendido pelo famoso; ou seja, pelo médico titular, o que deve ser muito natural, para o “vice”. (O Estado de São Paulo, Domingo, 22 de agosto de 2004, p. A16)

Enquanto líderes, nós devemos ter discernimento divino, para que possamos escolher muito bem, quem será nosso segundo e também quem serão nossos assessores.  Por outro lado, enquanto candidatos à posição de segundos, ou de assessores, precisamos nos conscientizar de quão importante é essa função exercendo-a com a devida responsabilidade, como se também nosso nome estivesse em jogo.

Se a atuação do líder não for satisfatória, com certeza irá pairar no ar a pergunta: “onde está o segundo?” Se a atuação do líder for de glória e sucesso, é provável que o nome do segundo nem seja mencionado.  Quero lembrar, porém, que tudo o que fizermos de benefício nesta terra e recebermos aqui mesmo a recompensa, já a recebemos; porém, se nesta terra não recebermos nenhuma recompensa por nossas boas atitudes, com certeza as receberemos lá no céu, lembrando que, o que lá recebermos será eterno.

No terceiro caso, a frase “E o segundo!”, carrega implicitamente um pensamento do líder quanto a quem escolher para estar ao seu lado, pois o ocupante de tal cargo deve ser uma verdadeira âncora e um ombro amigo para seu líder, de tal forma que lhe inspire confiança; seu líder pode contar com ele em qualquer situação, pois sente que a liderança é uma carga tão pesada que ele não poderia carregá-la sozinho. É como se alguém alertasse esse líder dizendo: “você não está sozinho neste empreendimento, lembre-se de que você tem ‘um segundo’ e esse segundo estará ao seu lado para lhe apoiar até as últimas consequências nas decisões tomadas”.

Nas duas últimas frases apresentadas, tanto ‘É o segundo?’, quanto ‘É o segundo!’, podemos entender implicitamente que o líder está tão bem entrosado com seu ‘segundo’, que tem plena confiança em dar-lhe liberdade para atuar em seu nome e assim poder desenvolver todo seu potencial. Também nos transmite a ideia de que esse segundo está exercendo tão bem sua função dentro dos padrões éticos e proporcionando ao seu líder, condições satisfatórias para que o empreendimento siga seu curso de forma fantástica e coerente, que todos os que convivem com ele, exclamam com admiração: “ele, é o segundo.”.  (Jo. 17:4-5)

Quando estamos na posição de “segundo”, instintivamente nos desmerecemos a nós mesmos e nem nos damos contas de que essa posição, por ser uma posição de assessoria, vem imbuída de grande responsabilidade; assim, meu objetivo é levar o leitor a refletir melhor a respeito de suas convicções quanto a exercer a função de “segundo” dentro da Seção, Departamento ou Igreja ao qual pertence.

Ser o “segundo” é ocupar um cargo de extrema confiança e de mediação entre o líder e seus subordinados.  Quando estamos na liderança, enxergamos o todo com tanta amplitude, que podemos comparar essa posição, como se estivéssemos no alto de um edifício de onde pudéssemos contemplar uma visão panorâmica do local onde nos encontramos.  Lembremos porém que, enquanto estamos tendo a visão do “todo”, não temos condições de saber, ou de tomar conhecimento do que está acontecendo “lá embaixo”, nos escalões inferiores.

A função de liderança requer tão grande parte do nosso tempo, que não temos condições de parar, para nos colocar no lugar dos nossos subordinados, a ponto de nos empatizarmos com eles e podermos proporcionar-lhes satisfação consigo mesmos e também com a função que exercem.

Quem tem tempo para chegar perto dos liderados e sentir suas necessidades?: ‘É o segundo!’.  Sua posição estratégica é tão delicada e ao mesmo tempo importante, que sua atuação, tanto pode levar seu líder a vivenciar momentos de glória e de fama, quanto também levá-lo a uma derrota fatal.

O exercício da posição de segundo molda nosso caráter e nos capacita melhor para a própria vida em si; podemos considerá-la como um firme lastro para que posteriormente estejamos devidamente qualificados para ocuparmos uma posição de liderança.  Lembremos sempre que, grande parte da vitória do líder, está nas mãos de seu ‘segundo’!

Imaginemos se Deus, ao enviar seu Filho Jesus Cristo para a missão a qual veio cumprir aqui na terra, não pudesse ter total confiança de que tudo seria feito conforme o planejado desde a fundação do mundo, e também profetizado?!…  Vemos que Jesus foi o exemplo verdadeiro e perfeito de obediência ao Seu Pai e cumpriu à risca tudo o que já estava designado para que Ele fizesse e realizasse; resultado, o Deus Pai foi glorificado e Sua Soberania foi selada para sempre. (Is. 53:10-12).

Com certeza, se Deus tivesse escolhido algum mortal como nós, para exercer tal missão, teríamos falhado em algum ponto e a ‘imagem’ do Deus Santo e verdadeiro teria ficado comprometida para sempre. (Sl. 14:2-3; 53:2-3; Rm. 3:10-11, 23-26)

Jesus nos deixou o melhor exemplo de como exercer bem a função de ‘segundo’. Antes de prosseguirmos esta análise, principalmente quanto à pessoa de Jesus Cristo, lembremos que nossa crença é num único Deus, subsistente em três pessoas distintas; cada pessoa da Trindade Divina exerceu sua missão desde a Criação para a redenção da humanidade, porém, nenhuma dessas três Pessoas do Deus Trino é considerada maior ou menor que a outra; aqui estamos apenas considerando a ordem cronológica e sequencial de atuação de cada uma das três Pessoas da Trindade: Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo e os três são um e também concordam num (I Jo. 5:7-8).

Assim, como está escrito, Jesus Cristo se esvaziou de si mesmo para que o mundo pudesse conhecer quem é o Pai (Fl. 2:5-9). O ministério divino, idealizado desde a fundação do mundo, foi perfeitamente exercido por Jesus, tanto que Ele também foi glorificado e está assentado à direita do trono do Deus Pai e, numa sintonia e harmonia indissolúvel, juntamente com o Espírito Santo, governam este Universo de forma inexplicável e indiscutivelmente espetacular. A segunda atuação do Deus Trino foi a morte, ressurreição e ascensão de Jesus Cristo; a terceira e maravilhosa atuação do Deus Trino, tem sido feita através da pessoa do Espírito Santo (At. 1:5, 8 e 2:1-4) que habita em nós (Jo. 14:17; I Co. 6:19) e tem sido nosso Consolador (Jo. 14:26; 15:26).

Creio, porém, que nosso Deus que contempla todas as coisas, principalmente no que concerne ao desenvolvimento e crescimento espiritual da Igreja, está no controle de todas as coisas, capacitando novos líderes para assumir posições de destaque em todos os âmbitos eclesiásticos, pois temos contemplado um crescimento considerável de novos membros integrando nossos Templos.

A Seara está crescendo e o dono dessa Seara tem trabalhado incansavelmente para suprir todas as necessidades para que se possa alcançar uma ótima colheita. Rogai ao Senhor da Seara que mande obreiros para Sua Seara… (Mt. 9:38) Ele nos chama!!!… Aceitemos de bom grado esse convite para ocuparmos qualquer posição que Ele nos designar, pois assim como Jesus Cristo nos deixou seu exemplo de humildade, não considerando sua própria vontade humana (Lc.22:42), mas sim a do Pai em nos redimir deste mundo de pecado, deixemos todo o embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia e corramos com paciência a carreira que nos está proposta (Hb. 12:1b).

Além de Jesus Cristo, que nos deixou o exemplo perfeito, a Bíblia também registra a atuação de outro personagem que atuou como ‘segundo’: Josué.  Ele seria o sucessor de Moisés e fez exatamente como seu líder lhe orientou, desfazendo a Amaleque e seu povo, ao fio da espada. Josué simplesmente obedeceu, sem questionar o ‘porquê’ de Arão e Hur terem ficado com a parte mais ‘fácil’ que era apenas sustentar estendidas, as mãos de Moisés (Ex. 17: 9-16).

Todo e qualquer empreendimento se expande e prospera, quando a liderança atua de forma harmoniosa e cada um exerce sua função, de forma a que o objetivo de todos seja alcançado perfeitamente, sem querer se destacar pessoalmente buscando a fama isoladamente (Mt. 12:25-26).

Façamos uma introspecção em nós mesmos e à luz da Palavra de Deus, avaliemos nossa atuação enquanto ‘segundos’: estamos apaziguando os ânimos dos nossos liderados, ou estamos contribuindo para a formação de um motim?… Lembremos sempre que: quem não sabe e ou não tem graça para ser liderado, nunca chegará a ser líder; se de alguma forma conseguir chegar a um patamar de liderança, estará fatalmente fadado ao fracasso.

Finalizando, concluímos que foi providencial que a referência ao segundo irmão ficasse num versículo isolado, pois entendemos que mesmo nesse contexto familiar sua atuação frente aos demais teve um destaque importante; se o segundo não tomasse a iniciativa de casar-se com a viúva para suscitar descendência ao irmão primogênito, mesmo que os demais quisessem fazê-lo, não poderiam, pois a lei determinava que se seguisse uma sequência ordinária.

Como Jesus Cristo mesmo afirmou que, se Ele não concluísse totalmente sua missão, O Pai não poderia nos enviar o Consolador (Jo. 16:7). Assim, em prol do crescimento do Reino de Deus, vamos trabalhar diligentemente, na posição em que estivermos e com os talentos que o Pai celestial nos entregou, seja um, dois ou cinco, pois um dia nos será pedido contas do que fizemos com eles e, com certeza, nosso Deus se agradará daqueles que contribuíram para a multiplicação do Seu Reino e lhes retribuirá em abundância (Mt. 25:14-29).

 

 

 

Sonia Valerio da Costa

24/04/2009

                                                                                                                      

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LIBERDADE VERDADEIRA

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará. Se pois o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.” João 8:32 e 36

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Um dos temas mais discutidos neste novo milênio tem sido a liberdade de pensamento, de expressão e de idéias, e porque não dizer também da liberdade de filosofias e de religiões.  Desde sempre, o homem lutou para conseguir sua liberdade, tanto individual quanto coletiva.  É inerente ao ser humano, buscar sempre uma posição de liderança ou de controle sobre os que estão ao seu redor, para não ser apenas um subordinado; seu desejo é alcançar sua auto-suficiência tentando chegar ao mesmo patamar divino, pois acredita que, como detentor desse poder, poderá usufruir maior liberdade.  A prática mostra o contrário; quanto maior o poder de decisão e responsabilidade, menor a liberdade para fazer o que se quer ou o que se tem vontade.

Se refletirmos sobre essa expressão proferida por Jesus Cristo, “a verdade vos libertará”, com certeza, nossa resposta seria a mesma dada por seus discípulos: “nunca servimos a ninguém; como dizes tu: sereis livres?” (João 8:33).  Para os discípulos, o ser livre, só poderia estar relacionado à liberdade física de alguém que estivesse em prisão.

O próprio texto mostra que a “verdade” é o próprio Jesus Cristo; agora, quanto a “liberdade”, o que o Mestre estava querendo transmitir? O dicionário “Aurélio” nos oferece três explicações para a palavra “liberdade”: 1) poder de agir, no seio de uma sociedade organizada, segundo a própria determinação, dentro dos limites impostos por normas definidas; 2) faculdade de praticar tudo quanto não é proibido por lei; 3) liberdade não é libertinagem.  Quanto a “libertinagem” o mesmo dicionário define como sendo “devassidão, desregramento, licenciosidade”.

Os escribas e fariseus, contemporâneos de Jesus, já viviam esse tipo de liberdade definida gramaticalmente; tanto, que eram respeitados por todos dentro da sociedade em que viviam.  A qual libertação Jesus se referia, então?  Ele queria libertá-los, principalmente, da escravidão da religiosidade, mas naquele momento eles não conseguiram compreender a essência do discurso do Mestre.  Apenas praticavam a Lei de Moisés com um zelo extremo, pensando que com isso alcançariam a salvação; essa obsessão levou-os a perder a visão da verdadeira mensagem do Evangelho de Jesus Cristo, que já havia sido anunciada pelos profetas. Leia mais…

…E A ÁGUA LEVOU!

(Google Imagens)
(Google Imagens)

Olhei ao meu redor e restava apenas o silêncio.  Um silêncio que incomodava mais do que as turbinas de um avião, quando está para decolar.

Meu olhar estava perdido na linha do horizonte buscando em vão por uma réstia de esperança de que aquele cenário não passava de um sonho; conscientemente, porém, compreendia que tudo era real.

Havia construído tantos sonhos e quando estava prestes a alcançá-los, tudo se desmoronara em questão de poucos minutos.

Agora o mar já estava em seu lugar habitual; suas ondas vinham empoladas e junto à praia perdiam totalmente a força assumindo uma constante serenidade.

Teria sido tudo aquilo um pesadelo?  Perguntas sem respostas povoavam minha mente em meio àquele quadro desolador.

Não havia nada mais que se pudesse fazer.  Então, lentamente, as explicações que justificavam tamanha tragédia, começaram a chegar. Começava a entender que como uma espécie de purificação espiritual, física e biológica, as águas não apenas haviam levado tudo; simplesmente haviam limpado uma região que precisava ser reconstruída, não somente reformada.

Lamentavelmente era necessário admitir que nem tudo que as águas haviam levado era passível de reconstrução; mesmo porque, vidas não poderiam ser devolvidas.

Mas então, o quê pôde ser recuperado para que pudesse ser reconstruído?

Enquanto uns perderam suas casas, outros ficaram livres de alguma prisão social ou moral. Uns perderam seus pais e outros, seus filhos. Lares foram reconstruídos a partir da formação de novas famílias.

Uns perderam todo dinheiro, enquanto outros não tinham bens a perder; mas apesar da tragédia, não perderam a esperança.

Hoje, passados dois anos, ao tomar conhecimento da ocorrência do mesmo tipo de tragédia, que tem acontecido em outras partes do mundo, me recordo dessas reflexões e começo a entender que minha vida precisava de uma mudança, só não sabia como isso poderia acontecer. Sobrevivi apesar de ter chegado a pensar que não teria forças para isso.

Aprendi lições existenciais que me levaram a banir todas minhas dúvidas quanto a  existência de Deus.

Antes eu não sabia o que era o verdadeiro amor, mas Deus me ensinou a exercê-lo. Antes eu ostentava um certo orgulho e tinha dificuldades para dividir e compartilhar; hoje entendo que a bênção da prosperidade só existe quando se entra no círculo ativo de dar e receber. Antes eu desconfiava das pessoas que tinham pensamentos diferentes dos meus; hoje vejo que o amor de Deus está acima de credos, religiões e comportamentos sociais.

A água, como símbolo de purificação, leva tanto as coisas que estão nos prejudicando, quanto as coisas boas que ainda não nos encontramos em condições de recebê-las, ou tê-las.

Comecei a entender que quando a natureza se volta contra nós, é porque precisamos de um momento para refletirmos se, devido nossas atitudes e comportamentos, não nos encontramos tão longe de Deus, ou Ele tão longe de nós, que nem sequer poderá ouvir nosso grito de socorro?!!..

Você que está tão distante geograficamente, mas tão perto emocionalmente, o considero meu irmão. Hoje foi para você, que tudo desmoronou, mas Deus nosso Pai, que faz nascer o sol para todos está te dando a oportunidade de renascer e de crescer como ser humano.

Em algum momento da nossa vida nos chega a oportunidade de recomeçar. Se chegou a sua hora, não desfaleça, levante-se, busque em Deus coragem para prosseguir, porque Ele nunca desamparou os que se dispõem a mudar para melhor.

Sonia Valerio da Costa

21/04/2009